Última produção do cinema adulto de Hollywood

Há tempos sumido do noticiário, o diretor Arthur Penn, que morreu com a idade de 88 anos, já tinha seu lugar assegurado na história do cinema. Seu nome fica vinculado, em especial, ao sucesso de Bonnie & Clyde, que no Brasil ganhou o subtítulo de Uma Rajada de Balas.

Análise: Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

Interpretado por Warren Beatty (Clyde) e Faye Dunaway (Bonnie), o filme causou impacto no ano do lançamento, 1967. A maneira um tanto amoral como Penn mostrava a dupla de assaltantes chegou a incomodar muita gente, mas a fluência narrativa, o tom de aventura, a contestação de costumes ali presentes seduziam outra parte do público. O filme tornou-se campo de batalha de uma guerra travada no seio da indústria, e batizada como a luta entre da "velha Hollywood contra nova Hollywood". Aos cineastas tradicionais se opunha a nova geração, ligada (por vocação artística e modo de vida) à contracultura - Robert Altman, Francis Ford Coppola, Jack Nicholson e Dennis Hopper, entre outros.

O que mais incomodava ao público conservador era a ausência de culpa com que a história do casal era contada. Apesar dessa maré contrária, o filme foi sucesso de bilheteria e chegou ao Oscar como favorito. Mas então foi a vez da "velha Hollywood" mostrar seu poder e dar ao concorrente apenas dois prêmios secundários (fotografia e atriz coadjuvante).

Hoje isso pouco importa, pois, no retrospecto, Bonnie & Clyde aparece como um dos títulos mais importantes dos anos 60 e 70, décadas que assistiram ao último estertor do cinema adulto de Hollywood. Em seguida, viria a infantilização da era dos blockbusters.

É tamanha a influência de Bonnie & Clyde que o restante da obra de Penn corre o risco de ficar à sua sombra. Não devem ser esquecidos o "ecológico" e nunca chato Pequeno Grande Homem (1970) e os extraordinários Mickey One (1965) e A Caçada Humana (1966). São filmaços para serem vistos. E revistos.

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