Mônica Bento/AE
Mônica Bento/AE

U2 ferve a mil graus

Estreia dos irlandeses, sábado, reuniu 90 mil e visual ilustrou evolução brutal do entretenimento de arena

Lauro Lisboa Garcia e Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2011 | 00h00

Em seu retorno ao País, no sábado, após duas passagens por aqui (em 1998 e 2006), o grupo irlandês U2 tocou 22 músicas durante 2h10 para cerca de 90 mil pessoas, num Morumbi tão lotado quanto em dias de São Paulo e Corinthians.

Começou a cair uma chuva fina no momento do show do Muse, a banda inglesa que abriu para os irlandeses. Mas a chuva parou pouco antes do U2 entrar no palco, tocando Even Better than the Real Thing (1991), e a água só voltou a dar as caras quando tudo terminou, a 10 minutos da meia-noite.

Escorada pelos efeitos monumentais de seus fabulosos telão e cenário, a banda mostrou a velha disposição para o discurso político, para o ativismo e uma atualização quase jornalística de sua trajetória. Por exemplo: fez o seu tributo aos 13 garotos assassinados na semana passada numa escola de Realengo, no Rio de Janeiro, por um maluco armado. Pôs todos os nomes dos escolares mortos no telão durante a execução de Moments of Surrender.

Também saudaram a presidente Dilma Rousseff, com quem o grupo se encontrou em Brasília na sexta-feira, por sua disposição em erradicar a miséria no País. Logo depois, o vocalista Bono içou uma jovem fã da plateia para ler a letra da música Carinhoso, de João de Barro e Pixinguinha. A garota cantou: "E só assim então serei feliz, bem feliz", e Bono repetiu esse finalzinho.

Irônico notar que uma banda que explodiu na era da new wave, nos anos 1980, hoje tenha um público já tão amadurecido quanto os velhos dinossauros do hard rock dos anos 70. "Minha mãe ouvindo U2 é tão fofo. Parece uma adolescente fanática!", escreveu Cathy Schoene no Twitter, rede social que parecia estar inteirinha no Morumbi anteontem.

Mas, como todo megashow, houve os efeitos colaterais. As filas no início nem foram tão caóticas - embora já houvesse gente na fila do sábado para entrar ontem. Os cambistas vendiam ingressos de pista a R$ 600 e arquibancada a R$ 400 (como eles conseguem tê-los em quantidade tão generosa?).

Dentro do estádio, outros probleminhas: a área Red Zone, a super-VIP, tinha uma mureta de placas de alumínio que tirava a visão de uns 10% do público no gramado. Cobertura do gramado, o tapume, revestimento, estava desnivelada e muita gente caía e se machucava. Os vendedores de cerveja foram reajustando os preços conforme o produto escasseava.

O som, assim como as imagens no telão, estiveram impecáveis. "Parece até playback de tão certinho", espantou-se um fã. Entre as celebridades que estavam nos camarotes das empresas patrocinadores, batiam ponto artistas como Murilo Benício, Giovana Antonelli, Ana Maria Braga, Fiuk, Rogério Flausino (do Jota Quest), Alice Braga, Gabriela Duarte e Leandra Leal. E, assim como o discurso político, a classe política compareceu: Aécio, Índio da Costa, Beto Richa.

O grupo se despede de São Paulo nesta quarta, no mesmo Morumbi, em show com ingressos também esgotados.

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