TVA e Directv querem o "Canal Brasil"

Os fãs do cinema nacional têm muito a comemorar. Além da indicação ao Oscar, com o curta-metragem "Uma História de Futebol", de Paulo Machline, muitas novidades vêm por aí. O Canal Brasil, da Globosat (Net e Sky), que exibe 24 horas por dia de produções cinematográficas brasileiras, traz uma série de novos programas e a transmissão de seu sinal está sendo negociada com operadoras como TVA, Directv e outras independentes.Há pouco mais de dois anos no ar, o "Canal Brasil" é resultado de uma associação da Globosat com o Grupo Consórcio Brasil, formado pelos cineastas brasileiros Luiz Carlos Barreto, Zelito Viana, Marco Alteberg, Roberto Faria e Aníbal Massaini Neto, além de Paulo Mendonça, consultor financeiro do grupo. As produções brasileiras chegam a 1,2 milhão de assinantes no Brasil e 700 mil em Portugual.O "Canal Brasil" foi criado em função da lei do cabo que determina que haja um canal por operadora voltado à produção audiovisual. Ele foi o primeiro e ainda é o único habilitado para este fim, inclusive seu certificado, expedido pelo Ministério da Cultura, é de número 001.Para seu diretor, Wilson Cunha, o canal surgiu em um momento muito feliz do cinema nacional: a retomada das produções. "Ele abre espaço para o cinema na televisão e isso tem importância fundamental para a cultura do País. Antes os brasileiros só tinham a opção de acompanhar a evolução dos atores internacionais. Hoje eles podem ver atores como Antonio Fagundes, por exemplo, desde os primeiros trabalhos da carreira até as participações atuais." Cunha afirma ainda que ter acesso às produções nacionais permite que resgatemos nossos valores. "Reconhecer a sua imagem é fundamental para um País que quer ter uma cultura própria."Desde a criação, o "Canal Brasil" recebeu investimentos da ordem de R$ 15 milhões, distribuídos em produções, compra dos direitos de exibição, prêmios de incentivo à produção, apoio aos festivais de cinema e lançamento de filmes. Atualmente, exibe uma média de dez longas e nove curtas por dia.Este ano, a programação traz longas-metragens ainda inéditos na televisão brasileira: "O Viajante", "Um Copo de Cólera", "Outras Estórias", entre outros. Tem ainda "Coisas de Cinema", que vai contar curiosidades do cinema nacional, entre outros programas. O canal mostra que tem exercido influência nas produções cinematográficas. "Ele só existe se for um realimentador da indústria audiovisual. Por isso, o objetivo é interagir cada vez mais. Para o futuro, a expectativa é ser co-produtor de novos filmes. Cunha acredita que até o próximo ano, o canal vai estar produzindo longas, principalmente tele-filmes, mas isso vai depender da viabilidade financeira.Quanto à surpresa da indicação de "Uma História de Futebol" ao Oscar deste ano, Cunha acredita que esta é mais uma prova da qualidade de nossas produções. "É o coroamento de um belo trabalho. O curta é extremamente inteligente e bem narrado. Foi ótimo ter sido indicado, mas será melhor ainda ganhar." O curta foi premiado pelo "Canal Brasil" no ano passado e será exibido dia 28.

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