TV* SONHOS E REALIDADE

Girls segue no caminho contrário a Sex and the City ao narrar vida em NY

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE , NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2013 | 02h10

Para muitas mulheres jovens de todo o planeta, morar em Nova York era o sonho de ter uma vida parecida com a de Carrie Bradshaw, de Sex and The City. Ao desembarcar na cidade, porém, a realidade delas acaba mais próxima da de Hannah, a personagem interpretada por Lena Dunham, diretora, roteirista e criadora da revolucionária Girls, da HBO, que deu a ela o prêmio de melhor atriz e melhor série no Globo de Ouro.

O cenário de Girls é a região do Brooklyn, não Manhattan. Os episódios se passam em bairros descolados como Williamsburg, Greenpoint e Bushwick, que se tornaram o sonho de consumo da geração dos Millennials. Não apenas dos Hipsters, mas mesmo de jovens comuns, como as quatro meninas do programa. Cafés e festas em apartamentos pequenos são os eventos mais comuns. Drogas são usadas, mas as meninas não são drogadas. Tem sexo, mas elas não saem transando com todo o mundo.

Hannah, de Girls, também seria a antítese de Carrie, de Sex and the City. Dunham já quis deixar isso claro em uma série de entrevistas. A personagem da série da HBO usa roupas largas que não caem bem. Além disso, é gordinha e não tem vergonha. Aparece nua em muitas cenas. É de classe média, mas seus pais cortaram a mesada. O dinheiro não cai do céu, como para as personagens de Sex and the City.

Seu amante, na primeira temporada, Adam, é um jovem musculoso com ambições teatrais, mas que não faz absolutamente nada a não ser flexão de braço e ver TV. O de Carrie é o milionário Mr. Big. Em comum entre os dois, apenas o uso da expressão "kid" para se referir à amante - algo que Dunham fez de propósito.

Criada em Nova York e com uma mãe judia, Dunham, por atuar em todas as áreas da produção não apenas desta série como também de filmes, aos 26 anos chega a ser descrita como o Woody Allen desta nova geração, nascida no fim dos anos 1980.

Na exibição do segundo episódio, no domingo, grupos de amigas (e também de amigos) se reuniram em Nova York para assistir à série. A brasileira Gisela Gueiros, que participou de um destes eventos e vive em Williamsburg, disse que gosta do realismo da série. "Tem aquela frase de uma delas - 'Não quero um namorado. Quero alguém para sair junto o tempo todo, que me ache a melhor pessoa do mundo e queira fazer sexo apenas comigo'."

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