TV* Parque de gente grande

Paulo Marinho fala sobre o Gloob, primeiro canal infantil da Globosat

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h09

Nada nas Organizações Globo, ou quase nada, acontece por acaso. Foi com base em pesquisas de toda espécie, do qualitativo ao quantitativo, que o grupo definiu as diretrizes do Gloob, primeiro canal infantil da bandeira Globosat, pronto para entrar no ar em junho. O público-alvo busca a faixa de 5 a 8 anos, target mal contemplado pelos tantos canais do gênero, todos donos de excelentes posições no ranking dos mais vistos no universo da TV por assinatura.

Enquanto opta por enxugar o conteúdo infantil da TV aberta, a Globo enxerga com louvor um mercado promissor no segmento pago, hoje dono de mais de 13 milhões de assinantes e em condições de chegar a 25 milhões em três anos. O caso é que criança que sai da primeira infância e abandona o Discovery Kids, líder entre os pagos, mal encontra sua turma no Cartoon ou na Nickelodeon, ambos feitos, em sua maioria, para crianças maiores.

Diretor do Gloob, Paulo Marinho confirma a escolha proposital por um nicho mal atendido e reforça a pretensão de somar a família diante da tela, um desafio diante de tantas opções segmentadas.

"A gente pensa muito o canal para crianças nessa faixa de 5 a 8 anos, mas trabalha também uma programação mais ampla, com uma faixa de filmes, que entra nesse critério de tentar unir pais e filhos, e de desenhos antigos, que também têm esse critério", afirma Marinho ao Estado, em entrevista por telefone. Os desenhos antigos a que ele se refere ainda são objeto de negociação com distribuidoras, mas certamente excluem o menu de velhas animações em cartaz em outros canais pagos no Brasil.

Embora se trate de um canal nacional, o Gloob será inaugurado com pelo menos 80% de produtos estrangeiros. "A proposta é crescer essa fatia de produções nacionais, ano após ano. Temos questões envolvidas nisso, como o amadurecimento e um compromisso de incrementar o mercado de audiovisual infantil nos próximos anos", completa.

Se há nesse primeiro momento uma produção nacional merecedora de holofotes, lá está: é D.P.A. (Detetives do Prédio Azul), série em 26 episódios sobre três amigos que investigam mistérios no condomínio onde moram. Trata-se de uma live action da Conspiração Filmes. Milla (Letícia Pedro), Tom (Caio Manhente) e Capim (Cauê Campos) compõem o elenco central, sob direção de André Pellenz e roteiro de Flávia Lins e Silva, criadora da personagem Pilar e autora expert no ramo - vide As Peripécias de Pilar na Grécia, A Folia de Pilar na Bahia e O Agito de Pilar no Egito.

Da BBC vem a série Meu Pequeno Grande Avô (Grandpa in My Pocket). Na história, o melhor amigo de Jason é seu avô, praticamente uma criança, de tão levado. O avô tem lá uma boina mágica que o encolhe o bastante para que ele caiba no bolso de Jason. Quando está em miniatura, o vovô traz os brinquedos de Jason à vida e acaba se envolvendo em diversas travessuras.

Também vem da Inglaterra a série Ned & Fred (Hareport): numa época em que todos os animais podem voar, os irmãos Fred e Ned decidem abrir um aeroporto. As duas lebres dirigem o negócio com ajuda dos amigos Cookie, Hughes e Moppet. Enquanto Fred se dedica por completo ao novo negócio, Ned se diverte tentando inovar e arrumando confusão.

Da Itália, Marinho destaca a série Spike Team, feita por seis meninas de perfis muito distintos entre si, que formam um time de vôlei treinado por Lucky, um campeão mundial. É por meio do esporte que elas amadurecem e descobrem o valor da amizade, da lealdade, do trabalho em equipe, da perseverança, da coragem e do equilíbrio.

Há um engajamento social na proposta do Gloob, mas, ressalta Marinho, convém não confundir isso com "educativo". Produtos infantis educativos ficam para outro canal ligado ao grupo, o Futura, da Fundação Roberto Marinho. "Buscamos enfatizar valores positivos, mas somos um canal de entretenimento", diz. Por valores positivos entenda-se também a recusa a conteúdos de luta e agressividade, itens bastante expressados pelos animes japoneses, por exemplo.

A chegada do Gloob às operadoras só é certa, por enquanto, no espectro dos canais em alta definição (HD). A Globosat ainda negocia espaço em pacotes SD (Standard).

Teste doméstico. Pai de duas crianças - de 11 e 8 anos -, Marinho tem a chance de encontrar respostas para o novo canal dentro de casa. Pertencente a uma geração pré-TV paga, o diretor do Gloob cresceu vendo Pica-pau, Sítio do Picapau Amarelo e Tom & Jerry. Agora, com a opção da Globo em restringir a programação infantil às manhãs de sábado, não se sente pressionado a compensar a lacuna da TV aberta do grupo no canal pago. "A gente aqui já tem essa expectativa, a pressão é mais externa - da imprensa, dos produtores e do mercado - do que do grupo."

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