TV paga vai atrás da classe C, mas sem baixar preço

Diagnosticado como um dos fatores responsáveis pela estagnação da TV paga no País, o preço do serviço não vai cair. Isso foi dito com todas as letras anteontem, durante a exposição de dados do setor por executivos da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA). O time deixou claro que baixar os custos da assinatura da TV paga está longe de seus planos para este ano. Para o presidente da ABTA, Francisco Valim reduzir preços não garante o crescimento da demanda e implica apenas diminuição de receitas. "Não há garantia nenhuma de que se baixarmos o preço do serviço vamos dobrar o nosso número de assinantes. Já tivemos alguns exemplos de como isso não funciona. É um risco desnecessário. Costumo dizer que baixar os preços é quebrar a TV paga de vez", fala Valim. "O negócio é utilizar a nossa atual infra-estrutura para viabilizar cada vez um número maior de serviços, principalmente os que fazem parte dos planos de inclusão digital."Valim aproveita para comemorar o crescimento tímido dos número de assinantes de TV paga em 2003. Segundo dados da ABTA, o serviço apontou crescimento de 0,8% na base de assinantes no ano passado em relação a 2002. "Pulamos de 3.519.604 assinantes para 3.548.190. Nosso faturamento bruto cresceu 18% em relação ao ano passado. Vejo esses números como êxito em um ano de crise." Para este ano, a ABTA espera um crescimento entre 1 e 2% na base de assinantes e conta com a venda de serviços como banda larga e pay-per-view para engordar sua receita. "Banda larga deve crescer uns 50% neste ano e a venda de pay-per-view, entre 10% e 15%", diz Valim. "Também é ano de Olimpíada, o que para os canais de esporte e jornalísticos representa crescimento no faturamento publicitário."Parece antagônico, mas o mesmo serviço que resiste em reduzir seu preço continua correndo atrás do público de classe C, que reclama justamente do alto custo desse cardápio. "Estamos fazendo pesquisas com esse público para saber o que eles querem na TV paga e quanto estão dispostos a pagar por isso", fala Valim. "O próximo passo será negociar isso com as programadoras. É uma equação complicada."

Agencia Estado,

14 de abril de 2004 | 11h35

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