TV francesa exibe documentário sobre Jacques Chirac

O presidente francês, Jacques Chirac, protagoniza um documentário que vai ao ar nesta segunda e na terça-feira em uma televisão pública francesa, no qual o realizador Patrick Rotman desmascara um dos últimos "animais políticos" da França.Ele "é tão complicado, complexo e secreto como François Mitterrand (seu antecessor, o ex-presidente socialista), mas se oculta de outra maneira", ressalta Rotman, que dirigiu o aclamado documentário François Mitterrand, A Novela do Poder (2000). Dividido em duas partes, Le Jeune Loup (O Jovem Lobo) (1932-1981) e Le Vieux Lion (O Velho Leão) (1981-2005), com uma hora e 45 minutos cada uma, o documentário sobre Chirac é o primeiro realizado na França sobre um presidente em exercício e além disso divulgado na rede pública de televisão. "É um sinal evidente de uma evolução, de uma autonomia da televisão pública frente ao poder", afirmou Rotman. Rotman abordou nos últimos quatro anos a tortura na guerra da Argélia, em L´Ennemi Intime (O Inimigo Íntimo), os eventos de 1944, em Eté 44 (Verão de 44), e os sobreviventes dos campos de concentração nazistas, em Les Survivants (Os Sobreviventes).Chicac não testemunhou no documentárioAssim como Chirac, nenhum de seus amigos e familiares aceitou testemunhar neste documentário que vai ser exibido no horário de maior audiência e seis meses do término de seu segundo mandato presidencial.Chirac também não viu o documentário, apesar de Rotman ter enviado uma cópia ao Palácio do Eliseu em meados de setembro quando fez a apresentação da obra à imprensa, segundo a assessoria do chefe de Estado.Essas fontes não excluem a possibilidade de que Chirac veja esta noite no France 2 o primeiro capítulo, mas descartam completamente que assista ao segundo, pois estará na China, onde fará sua segunda visita de Estado.Os assessores lamentam que o documentário esteja mais centrado na conquista do poder que nas conquistas de Chirac como presidente e insistem que faltam os depoimentos dos principais personagens históricos.Nenhum dos quatro primeiros-ministros que se sucederam nos últimos anos quiseram participar do projeto: Alain Juppé, Lionel Jospin, Jean-Pierre Raffarin e Dominique de Villepin.ParticipaçõesParticipou da produção o cientista político Michel Rocard, amigo de Chirac, que o define como "um grande sedutor", enquanto o atual presidente do Tribunal de Contas, Philippe Séguin, lhe dá o apelido de "Don Juan da política, mais preocupado com a conquista do poder do que em exercê-lo".Muito crítico, o socialista Raymond Barre o qualifica de "cavalheiro do oportunismo", enquanto outro socialista, o ex-ministro de Exteriores Hubert Védrine lhe rende a homenagem mais calorosa, ao assegurar que em mais de uma centena de países Chirac é considerado como uma espécie de porta-voz.Como fizeram o jornalista Karl Zéro e o realizador Michel Royer no documentário Dans la Peau de Jacques Chirac (Sendo Jacques Chirac), estreado no cinema em maio passado, Rotman também apóia sua criação na montagem de imagens retiradas dos arquivos audiovisuais. Mas ao contrário dos primeiros, que faziam uma sátira de Chirac, Rotman leva o personagem muito a sério.

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