TV faz 50 anos dividida entre a moral e a audiência

Da improvisação à transmissão a cabo, muita coisa mudou. O improviso cedeu lugar ao ponto eletrônico e a televisão brasileira prepara-se para completar 50 anos buscando novas alternativas tecnológicas, como a transmissão digital e uma relação mais próxima com a internet. Consegue ainda imortalizar fatos, pessoas e histórias. O fotógrafo Ed Viggiani visitou redações das principais emissoras, participou de transmissões de programas de auditório e esportivos e acompanhou a gravação de capítulos de novelas.As linhas futuristas dos cenários dos telejornais, além da mobilidade das câmeras, oferecendo um conjunto plasticamente moderno ao espectador, contrastam com a precariedade que marcou a primeira transmissão, em 18 de setembro de 1950. Naquela noite apenas 200 aparelhos contrabandeados e distribuídos por Assis Chateaubriand, comandante do império jornalístico Diários e Emissoras Associados, puderam captar as primeiras imagens transmitidas pela PRF3 - TV Tupi-Difusora, em São Paulo. Na tela depois do padrão de ajuste de imagens da RCA, com círculos e o rosto de um índio americano (posteriormente substituído pelo indiozinho Tupi), entrou o prefixo musical da emissora.O que veio a seguir apontava um retumbante fracasso. Nem mesmo a bênção do bispo auxiliar de São Paulo, d. Paulo Rolim Loureiro Primeiro, parecia poder resolver os problemas. Motivos para preocupações não faltavam: uma das três câmeras quebrou e comprometeu o funcionamento das outras duas. Ao se dar conta disso, o norte-americano Walther Ober Müller, supervisor do projeto e diretor da NBC, um dos três canais que existiam nos EUA na época, desesperou-se e foi para o hotel "tomar um porre". Além disso, como disse o próprio Müller, havia mais gente trabalhando atrás das câmeras do que assistindo à TV e até Hebe Camargo, escalada para cantar a Canção da TV, ficou rouca na última hora, substituída por Lolita Rodrigues.Disputa - Atualmente, a coisa evoluiu muito. A aferição imediata de audiência aponta minuto a minuto a quantidade média de aparelhos sintonizados em cada emissora, e oferece motivos para comemorações ou tensas reuniões de avaliação. A televisão tornou-se um dos negócios mais lucrativos do mundo e, no Brasil, praticamente não há lares sem ao menos um televisor.Os programas do fim de semana são os mais atentos aos números da audiência - especialmente os de Raul Gil e Luciano Huck, que travam a disputa do sábado, e os de Fausto Silva e Gugu Liberato, no domingo. As emissoras também descobriram novas faixas de público: o adolescente que até há alguns anos era praticamente desprezado no vídeo, tornou-se alvo de todas as redes.A disputa acirrada, porém, deveria mostrar uma televisão mais madura e criativa. Não é o que ocorre, porque, no caso específico dela, mais idade não significou maturidade. Não por falta de iniciativa. O ano que passou foi marcado por um minueto entre autoridades federais e emissoras, embalado pela música de um manual de qualidade que serviria para analisar (e modificar) em profundidade os parâmetros da programação da TV aberta no País, buscando deter principalmente o uso abusivo de violência e situações relacionadas a sexo.A comemoração pelos 50 anos, em especiais programados pelas emissoras, mostra a mudança dos costumes. Com o projeto TV Ano 50, a Globo busca, com um especial a cada mês, recontar com fidelidade os capítulos dessa história, que pode ser acompanhada também pela Internet: o Centro Cultural São Paulo faz a exposição TV Brasil - Ano 50, disponível no endereço www.prodam.sp.gov.br/ccsp.

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