TV Cultura não vai sair do ar, garante fundação

A TV Cultura divulgou nota ontem informando à opinião pública que, "a despeito de suas dificuldades, não vai sair do ar." A nota foi feita a propósito de informações publicadas no Estado no domingo, dando conta da situação calamitosa na emissora - entre os bens mais deteriorados está uma velha caixa d´água de 240 mil litros que ameaça desabar na sede da Cultura, na Rua Cenno Sbrighi. A nota não contesta nenhuma das informações publicadas, até porque elas constam de diagnóstico elaborado pela própria fundação. O retrato é crítico aponta de goteiras a falta de fitas para copiar programas (motivo pelo qual a emissora recorre às fitas do arquivo), além de atraso no pagamento a fornecedores, dívidas e problemas com o sinal da programação, já cortado em algumas cidades. Há outros problemas que a atual gestão não apontou no diagnóstico. Por exemplo: que entre 70% e 80% da atual programação da emissora é fruto de reprises; que, apesar de captar recursos na iniciativa privada desde 1999, a atual administração não conseguiu equilibrar o orçamento da emissora e continua dependente do dinheiro do Estado; que programas de baixa qualidade, como Alô, Alô, entraram na programação da TV Cultura - mesmo sob protestos em reuniões do Conselho da Fundação. Segundo a Assessoria de Comunicação da TV, o presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge Cunha Lima, não falaria nada além do que estava na nota. A fundação atribui os problemas que a TV Cultura enfrenta ao enxugamento das verbas do governo do Estado. "No contexto das negociações entabuladas com o governo e em face dos problemas advindos da execução orçamentária de 2003, essa diretoria enviou carta à Sra. secretária da Cultura, Cláudia Costin, com cópia para todos os conselheiros, carta esta que revela o núcleo central das dificuldades vividas: os contingenciamentos de verbas para investimentos e o congelamento de recursos do orçamento indispensáveis ao equilíbrio financeiro da Fundação Padre Anchieta em 2003, que vem sofrendo reestruturação administrativo-financeira acordada com o próprio governo, situação fiscal retratada pela mídia", afirma a nota. O governador Geraldo Alckmin falou brevemente ao Estado sobre a situação da TV Cultura ontem, logo após inaugurar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Geral do Grajaú, na zona sul de São Paulo. Ele considera que o problema da emissora não é somente de repasse de verbas. "Acho que podemos pensar em novos modelos (para arrecadar recursos), porque os recursos do Estado não têm diminuído. No orçamento deste ano, temos mais de R$ 100 milhões para a TV Cultura, a Fundação Padre Anchieta", afirmou. "Há, sim, que se pensar e avaliar novos modelos gerenciais para trabalhar." Segundo a reportagem apurou, o governo do Estado tem sérias restrições quanto à administração da TV Cultura e prefere trocar o comando da emissora. A atual diretoria-executiva da fundação está no cargo desde 1996 e demonstrou incapacidade para resolver os problemas e melhorar a programação, avalia o governo. Mas a troca independe da vontade do governador. Só seria possível se Cunha Lima renunciasse (ele tem mandato até 2004) ou se o conselho resolvesse substituí-lo.

Agencia Estado,

06 de maio de 2003 | 11h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.