TV Cultura mostra o lixo no mundo

Cada pessoa produz 700 gramas de lixo doméstico por dia. Considerando-se que o planeta tem 6 bilhões de pessoas, é razoável perguntar: para onde vai esse lixo?A série O Desafio do Lixo, que a TV Cultura exibe domingo, às 19 horas, tem o intuito de mostrar não só como os detritos produzidos afetam o meio ambiente no mundo, mas também apresenta sugestões para enfrentar o problema.A série de documentários é dirigida e tem roteiro do veterano jornalista Washington Novaes, de 66 anos, com 44 de anos na profissão, que percorreu com sua equipe 70 mil quilômetros pelo mundo, do Estado da Virgínia (EUA) aos aterros de Gramacho e Morro do Céu (Rio). Novaes, ex-Última Hora, Correio da Manhã, Globo Repórter e Folha de S.Paulo, dirigiu especiais premiados, como Xingu, Quarup e Pantanal. Também é articulista do jornal O Estado de S. Paulo.Para começar, a série tem uma conclusão alarmante: o lixo não é um problema exclusivo dos países do chamado Terceiro Mundo. Nos Estados Unidos, quase não há mais lugares para depositar tudo que um americano médio consome durante sua vida - 15 mil quilos de metais, 16 mil quilos de papel, 22 mil quilos de madeira, 29 mil quilos de produtos químicos e quase 500 mil quilos de material de construção, segundo levantamento da equipe de pesquisa do especial.A série de 5 programas, que tem direção musical de Gilberto Gil, começa hoje mostrando como é a "cultura do lixo" nos Estados Unidos. Lá, a cidade que mais recicla lixo é São Francisco, a meca hippie dos anos 60, que recupera 42,5% do total produzido. Há diversas soluções criativas para a questão, mas há também - como na Europa toda - um problema maior: o lixo nuclear, que jaz em algum buraco no deserto do Mojave.Em seguida, O Desafio do Lixo ruma para o Canadá, seguindo depois para a Europa, onde visita a Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suécia, Noruega, Itália e França. Somente no quarto programa chega a vez do Brasil.Aqui, a situação só não é mais drástica devido à ação dos catadores de lixo, que reciclam quase 80% das latas de alumínio, mais de um terço do vidro, cerca de 20% do aço e outros 20% de plásticos. Entre os Estados brasileiros, o que tem um dos mais modernos aterros sanitários é a Bahia.O Brasil produz mais de 100 mil toneladas diárias de lixo doméstico. Só a cidade de São Paulo produz 12,5 mil toneladas diárias. As administrações municipais gastam cerca de R$ 2 bilhões nos serviços de limpeza urbana, sem que o problema da destinação do lixo seja enfrentado.Com o progresso tecnológico, a situação só faz piorar. O lixo industrial da nova era - pilhas, baterias de celulares, aerossóis, pneus, lixo hospitalar e agrotóxicos - polui de maneira ainda não dimensionada os recursos hídricos e a natureza.Washington Novaes há muito vem contribuindo para a discussão das mais sérias questões ambientais no País. Em 1990, já advertia para o racionamento iminente de energia elétrica, advertência que foi ignorada pelas autoridades, como se vê hoje."Muitos acontecimentos recentes apontam a necessidade de profunda alteração nas estratégias brasileiras, para que o país possa adequar-se a situações e necessidades novas - sob pena de, não o fazendo, não se preparar e enfrentar contingências que podem ser dramáticas", escreveu Novaes em fevereiro. "Essa mudança exige principalmente - como já foi reiterado neste espaço - incluir a questão ambiental como um dos fundamentos dessas estratégias, se não o principal".Desafio do Lixo, direção de Washington Novaes. Domingo (03), às 19 horas. TV Cultura

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