TV Cultura é palco de "apitaço"

Três sindicatos - radialistas, jornalistas e artistas - vão promover hoje, por volta das 13 horas, um "apitaço" na frente da TV Cultura, protestando contra a atual situação caótica na emissora. Relatório elaborado pela direção da Fundação Padre Anchieta e divulgado pelo Estado mostra que a TV Cultura tem problemas estruturais profundos, que vão de goteiras, falta de fitas, rachaduras em caixas d´água, falta de equipamento. O Sindicato dos Radialistas, no entanto, acha que o problema também é de responsabilidade da direção da fundação e acusa a atual gestão, presidida por Jorge Cunha Lima, de "falta de transparência" em contratos e administração.Com base no que os sindicalistas vêem como "indício de irregularidade" (a instituição possuiria cópias de contratos assinados para a produção do infantil Ilha Rá-Tim-Bum, que teriam sido pagos dois anos antes da produção efetivamente ser iniciada), os sindicatos pretendem oferecer denúncia ao Ministério Público contra a direção da fundação. A direção da emissora atribui a crise ao enxugamento progressivo das verbas que o governo do Estado destina anualmente à Fundação Padre Anchieta. O governador Geraldo Alckmin disse à reportagem que considera que a emissora precisa de um novo modelo de gestão.Ontem, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) entrou com requerimento na Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa do Estado pedindo uma investigação e discussão pública sobre a atual crise na emissora. Cândido também propõe uma visita dos deputados à sede da TV.Em 2002, a TV Cultura arrecadou por seus próprios meios - anúncios pagos na grade de programação, principalmente - mais de R$ 20 milhões. Ainda assim, foi obrigada a demitir 202 funcionários contratados e outras 54 prestadores de serviços em fevereiro. Também fechou-se a biblioteca do Setor de Pesquisas da Fundação, organismo que era considerado o "coração" da instituição.

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