Tutinha, dono da Jovem Pan, diz que Pânico ficou ingênuo

Seria impossível publicar literalmente todas as frases proferidas por Tutinha, Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho - leia-se o dono da Jovem Pan e criador do Pânico. Segundos depois do início do nosso encontro, já surge a primeira heresia. Tutinha é uma metralhadora ambulante, por isso, não gosta de dar entrevista. "Depois da última entrevista que dei, minha mãe ficou um mês sem falar comigo. Minha mãe é muito religiosa, não gosta que eu fale mal das pessoas", explica logo, emendando: "Mas eu falo mal do Milton Neves mesmo. Ele ganha R$ 1 milhão por mês e está processando o meu pai. E foi o meu pai que deu emprego para ele. O Milton Neves era boy da rádio, ele começou aqui. Como depois processa quem o ajudou?" A mãe de Tutinha também acha que ele, quando dá entrevista, parece arrogante. "Não é isso, o problema é que sou muito sincero. Falo o que penso. Outro dia mesmo estava na casa de um cara cheio da grana, cheio de pessoas cheias da grana, e fui falar com um baita empresário e só fiquei falando m... Ele morreu de dar risada. Não sei ser de outro jeito", explica. Depois de o Pânico ser forçado pelo Ministério da Justiça a mudar das 18 para as 20 horas, ninguém da turma quer falar sobre o assunto. A palavra reclassificação chega a dar calafrios. Não para Tutinha. Mas depois de discorrer meia hora sobre o assunto, pede para a repórter filtrar suas declarações. Ok. "Olha, eles podem fazer o que quiser com o programa, até acabar com ele. Não tem problema. A gente faz outro e ainda melhor. Temos umas dez idéias de programa na cabeça." Ranking da baixaria É verdade que Tutinha concorda que, no começo, as pautas do Pânico eram pesadas. Diz, no entanto, que de uns tempos para cá é mais ingênuo que desenho animado. "Está parecendo programa da Igreja Universal. Novela das 7 mostra o peitinho, o Pânico não mostra". Emílio, que comanda a trupe, anda preocupado, acha que o Pânico pode sair do ar. Tutinha não acha e ainda tira sarro do amigo, com quem trabalha há 15 anos. "O Emílio é inteligente, mas é muito dramático. Demais. Se eu fosse levar a sério tudo o que ele diz já tinha me matado. Ele chora muito", diz. Mas o João Kleber saiu do ar, não saiu, Tutinha? "Não dá para comparar o Pânico com o João Kleber. O João Kleber é unanimidade. Todo mundo acha um programa de mau gosto, de baixaria". Tutinha argumenta que o Pânico tem um público A/B, diferente da audiência de João Kleber. E esse dado por si só já explica as diferenças. "O Pânico tem um público que é o sonho de todo mundo. Somos formadores de opinião, todo mundo assiste. O Suplicy, o Alckmin, todos políticos - menos o Zé Dirceu - falam com a gente, por que você acha?" E completa: "Nossas brincadeiras são inteligentes porque são feitas por pessoas inteligentes. Olha o Emílio, ele é muito inteligente, mas é dramático" brinca. Brincadeiras inteligentes como dormir no ombro do senador Eduardo Suplicy enquanto ele dá entrevista. "E daí? Todo mundo sabe que ouvir o Suplicy não é fácil, dá sono mesmo." Para ele, as emissoras deveriam ter a liberdade que as dos Estados Unidos têm. "Lá passa Jackass na sessão da tarde. Quem não quiser ver que mude de canal, ué?".

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