Turma de mira afiada

Se o time está ganhando, melhor não mexer. É mais ou menos essa a ideia da banda formada por Rodrigo Campos, que juntou músicos já entrosados por tocarem juntos uns nos trabalhos dos outros. Olho no lance: quatro desses músicos participaram de Nó na Orelha, o ultracomentado álbum de Criolo; dois integram o grupo Metá Metá; quatro deles compõem o Passo Torto; dois fazem parte do trio instrumental MarginalS; e três tocam no quinteto Sambanzo - todos projetos que se destacaram em 2011. A formação ainda inclui o tecladista e um dos principais compositores do Bixiga 70 e o baterista da banda de Marcelo Camelo, que também lançaram trabalhos elogiados neste ano. Só craque - tanto que todos estamparão a capa e assinarão juntos a produção de Bahia Fantástica.

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h10

"O Rodrigo montou um time somente de músicos criadores, deu liberdade para criarmos em volta de sua canção e de seu violão. É um trabalho corajoso, vai no sentido contrário de São Mateus Não é Um Lugar Assim Tão Longe", diz Kiko Dinucci, guitarrista do trabalho. "Eu fiz uma espécie de direção musical. Como eu não toco nenhum instrumento no disco, eu acompanhava de fora as ideias criadas por todos eles, dando palpites, sugerindo outros caminhos, sempre a partir dos apresentados por eles. Todo o processo foi essencialmente colaborativo", acrescenta Romulo Fróes, que também lançou seu quarto disco em 2011, Um Labirinto em Cada Pé - outro com participação de vários destes músicos, inclusive o próprio Rodrigo Campos e seu cavaquinho deixado de lado.

"Esses músicos são compositores e arranjadores, eles têm seus trabalhos próprios. Não dá pra chamar o cara e falar: 'vai lá e toca isso'", arremata Rodrigo. "Teve composição minha que eu levei pro ensaio e não funcionou, então eu voltei com outra ideia. Esse processo influenciou até nesse sentido, de eu mudar uma parte da minha composição. O Kiko fazia linhas de guitarra que eram composições embaixo da minha composição. O Takara cantava frases pra todo mundo tocar. E até hoje ninguém perguntou nada sobre cachê - e não vai ter", conclui, às gargalhadas. / R.Z.

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