Turma da Mônica encara desafios

Em números como Magali engolidora de sorvete e Cascão equilibrista, o circo volta a encantar adultos e crianças

Fernanda Araujo, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

Mauricio de Sousa ainda era moleque quando seu pai foi trabalhar no Circo Nhô Pai, do autor da famosa música Beijinho Doce. Orgulhoso de ser o filho do palhaço, ele não perdia uma sessão quando a trupe esticava a lona em Mogi das Cruzes (cidade onde morou) e ainda arrumava um tempo para trabalhar na bilheteria. "Ver a cara dos meus amiguinhos na hora de comprar o ingresso era o máximo", recorda o cartunista. Naquele tempo, além dos números circenses, havia espetáculo de teatro, no qual seu Antônio Mauricio de Sousa, com sua voz grave, interpretava sempre o bandidão.

Seis décadas depois, Mauricio ainda sonhava com o gênero quando seu filho Mauro - responsável por seu departamento de eventos - contou os planos de Turma da Mônica no Mundo do Circo, que estreia hoje, às 16 horas, na Barra Funda. "Foi uma ideia que eu tive e não consegui realizar. Eu não tinha o executivo e não sabia como tratar. Mauro está preparado, estudou cinema e teatro em Nova York. Uma vez ele me disse que ia ser diretor da Broadway com 35 anos e parece que está no caminho certo. É o melhor diretor que eu poderia ter ", explica sem modéstia o pai do prodígio de 24 anos que atuou em megamusicais como Miss Saigon e O Rei e Eu.

De fato, o moço demonstra maturidade e talento. Depois do morno Turma da Mônica em Cadê o Papai Noel - seu primeiro grande trabalho como diretor, no fim do ano passado -, ele volta à cena exibindo uma produção de qualidade, criativa e supervisionada por ele mesmo em cada detalhe.

No palco, para encarar o novo desafio, a turma mais famosa dos gibis ganhou figurinos de Fabio Namatame e precisou treinar bastante. Magali, por exemplo, de saia rodada com detalhes que imitam sementes de melancia, precisa mostrar ao público que é capaz de engolir um sorvetão em apenas dois segundos. O número de equilíbrio ficou com Cascão, que vai usar de toda a sua habilidade para não desabar em cima de baldes de água. Mônica, bravinha como sempre, encara a mulher barbada, enquanto o mágico Cebolinha faz sumir nada menos que Sansão, o coelho da dentuça. Tudo de brincadeira, afinal, os personagens têm somente 7 anos.

Efeitos. Mas, a produção orçada em R$ 1,5 milhão oferece mais: cenário de 40 metros de comprimento, 15 músicas inéditas, efeitos pirotécnicos e 45 artistas, entre atores, acrobatas, bailarinos, malabaristas, equilibristas. "As crianças ficarão tão maravilhadas que não terão tempo de se dispersar. Optamos por tudo que há de melhor no mercado. É nossa maior produção", explica o diretor.

A ideia do projeto nasceu há um ano durante um bate-papo de Mauro com Rosana Jardim, responsável pelo Circo dos Sonhos, que passou por várias adaptações para receber a superprodução (mudou luz, som, bilheteria, plateia e camarim). "Fizemos um circo dentro do circo", explica Rosana.

Enquanto isso, o pai da Mônica e do Mauro cuida de outros departamentos: planeja a criação de um complexo cultural próximo ao Rodoanel, com estúdio, teatro, museu e uma escola de arte apena para crianças. Já o Parque da Mônica deve ser mesmo no novo shopping da zona sul, fazendo concorrência para o Parque do Cebolinha, que deve ficar ao lado do Playcenter. As atrações, porém, ainda não têm data para estrear.

E como os animais estão proibidos da maioria dos palcos brasileiros, Jotalhão, o elefante verde, vai se disfarçar de mestre de cerimônias para conduzir o espetáculo, enquanto Mauricio supervisiona tudo - do camarote.

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