'Turbo', animação da DreamWorks, chega aos cinemas

Não teve para ninguém. Pelo segundo fim de semana seguido, "Meu Malvado Favorito 2" liderou as bilheterias no Brasil, batendo "O Homem de Aço", que ficou em segundo na estreia, "Minha Mãe É uma Peça" (terceiro) e "O Cavaleiro Solitário" (lanterninha, em quarto). Você pode argumentar que é temporada de férias, que as crianças lotam as salas, etc. Tudo é verdade, mas "Meu Malvado 2" só com muita boa vontade pode ser considerada uma grande animação. Já "Turbo", de David Soren, que estreia nesta sexta-feira, é grande. Vai bater o "Malvado 2"? Essa é a questão.

LUIZ CARLOS MERTEN, Agência Estado

19 de julho de 2013 | 11h52

Até acertar o tom, com "Shrek", a DreamWorks teve muitas animações meia-boca, para não dizer malsucedidas. "Turbo" é das melhores. Tem algo de trabalhos que fizeram história na Pixar (de John Lasseter) - "Carros", "Ratatouille". Um caracol sonha ser campeão em Indianápolis. Tem um irmão que o adverte de que é loucura, que não dá. Caracóis são lentos por natureza, mas um acidente turbina o herói e ele vira uma aberração aos olhos de seus semelhantes.

Incentivado pelas palavras do campeão francês - e ele, sim, mais que o "malvado favorito", é o demo em pessoa -, nosso herói segue em frente. Encontra um chicano vendedor de tacos que vive fazendo planos mirabolantes para incrementar o negócio do irmão (e eles, invariavelmente, fracassam). Pronto. Você sacou tudo. "Turbo" é uma espécie de fábula (dupla) sobre dois irmãos. E em ambos os casos, os irmãos "práticos" vão perceber como é importante empurrar os loucos sonhadores.

Em todas as entrevistas que já deu, Lasseter, o sr. Pixar, gosta de dizer que a tecnologia é uma ferramenta fácil de dominar. Difícil é criar boas histórias, e por isso ele considera o roteiro uma ferramenta tão ou mais necessária que as técnicas de animação. O roteiro de "Turbo" começa e termina com o caracol tentando superar seus limites. No início, sem superpoderes e dando o máximo de si, ele demora para percorrer o que, embora seja uma distância mínima, lhe parece o circuito inteiro (as 500 voltas) de Indianápolis. No fim... Veja para saber como as coisas ocorrem daquele jeito, Turbo de novo tem de se superar.

O filme é outra fábula de superação. Não importa quão grande seja seu sonho nem quão pequeno você seja, não desista. Parece banal, mas não é. O realismo da moderna animação permite aos diretores criar detalhes e investir na perspectiva de um jeito que era impossível na era da animação artesanal. Poucos filmes - "Grand Prix", de John Frankenheimer, "Speed Racer", dos irmãos Wachowski, outra fábula de dois irmãos - mostram o circuito do automobilismo desse jeito. A publicidade faz outro investimento - Turbo é veloz, seus aliados são furiosos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

TURBO

Direção: David Soren. Gênero: Animação (EUA/2013, 96 minutos). Classificação: Livre.

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