Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Tudo pelo cinema

Nos 20 anos do Espaço, quem ganha o presente é o público

Luiz Carlos Merten e Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2013 | 02h18

Cinéfilos, comemorem - o Espaço faz 20 anos e a festa é do público, que vai ter uma programação especial, e acessível, no conjunto de salas da Rua Augusta. Tudo começou em 1993, como um sonho de cinéfilo de Adhemar Oliveira, que trouxe para São Paulo sua expertise de exibidor, iniciada no Rio. Como a de muitos amantes de cinema de sua geração, a trajetória de Adhemar começou no cineclubismo. Foi lá que ele moldou seu imaginário e aprendeu a conhecer e amar os grandes diretores - os autores. No Espaço, ele cravou um nicho para exibir filmes que gostaria de ver. Não por acaso, trata-se de uma importante vitrine do cinema brasileiro.

Montado na sala antes ocupada pelo cine Majestic, o Espaço revelou-se um ponto de resistência - naquela época, anos 1990, ainda existiam cineclubes como Elétrico e Bixiga, hoje inexistentes. Restou ali o refúgio para os cinéfilos criados pela Mostra de São Paulo.

Fale com dez diretores brasileiros. Não nove, mas 11 entre eles - se houvesse o 11.º - dirão que Adhemar é guerreiro na defesa do cinema do País. No Espaço, que já foi Nacional e Unibanco, e hoje é Itaú - variando com as flutuações do próprio sistema bancário nacional -, o cinema brasileiro é rei, com o melhor cinema autoral do mundo. Em outro conjunto de salas que se espalharam pelo Brasil - o Arteplex -, Adhemar mescla cinema brasileiro com internacional, de autor com cinemão. Sua rede é uma das mais rentáveis do País - a outra, mais ainda -, mas ele não aceita que o chamem de magnata da exibição. É paparicado por produtores e distribuidores de Norte a Sul do Brasil. "Prefiro ser respeitado", ele diz.

O aniversário é do Espaço, mas a festa é do público. De sábado, 5, até a próxima quinta, 10, você vai assistir a uma programação escolhida com todo carinho. Serão cinco clássicos a preços populares (R$ 4 e R$ 2) - Os Pássaros e Um Corpo Que Cai, de Alfred Hitchcock; A Marca da Maldade, de Orson Welles; Monty Python e O Sentido da Vida, de Terry Jones; e Fome de Viver, de Ridley Scott. Na virada de 5 para 6, sábado para domingo, o Espaço Itaú Augusta vai exibir um noitão formado por seis filmes, sendo dois surpresa. Os sobreviventes da maratona terão direito a café da manhã e, entre as sessões, o lobby virará balada, com DJ e tudo.

Nas recentes manifestações que ainda agitam a cidade (e o Brasil), um anônimo cravou a frase - "A vida é melhor que o cinema". Mas em respeito ao templo do cinema em que se transformou o Espaço da Augusta, o grafite foi rabiscado no chão, na própria rua, não nas paredes. Nada prova melhor a respeitabilidade que a iniciativa de Adhemar Oliveira logrou conquistar. As comemorações dessa semana prodigiosa vão envolver debates. "A longevidade do Espaço é a prova de que o cinema de rua não morreu no Brasil", avalia Adhemar. "Hoje em dia, por questões de segurança ou o que, o mercado investe em salas de shopping, mas é importante que os cinemas de rua continuem existindo. Os shoppings tendem a ser elitistas, os cinemas de rua são mais populares."

E ele tem certeza de que, se houvesse mais cinemas de rua, os números seriam mais favoráveis ao cinema brasileiro. Com preços populares, então, eles iriam estourar. A memória desses 20 anos pede festa. Que venham 20, e outros 20.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.