Tudo novo de novo

Kiko Dinucci é uma das atrações do projeto Na Mira da Música Brasileira

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

Um dos compositores e instrumentistas mais surpreendentes da nova música feita em São Paulo é Kiko Dinucci (foto). Ele, que também canta, diz que seu violão é um instrumento de percussão, sua música é cinema. Atenta às infinitas possibilidades de renovação sonora, a produtora Myriam Taubkin o trouxe para o elenco da segunda edição de seu projeto Na Mira da Música Brasileira. Dinucci é simbólico dessa saudável "indefinição" de caminhos sonoros entre núcleos de colaboração mútua, mas não é o único.

Ao lado dele, hoje e amanhã no Auditório Ibirapuera, estarão abrindo suas caixolas de surpresas o potiguar Lula Alencar (piano e sanfona), o paraibano Antonio de Pádua (trompete, cavaquinho, pandeiro e violão de sete cordas), o mineiro Antonio Loureiro (bateria e teclados), e os paulistas Criolo (compositor e MC), DJ Marco, Laura Lavieri (cantora) e João Taubkin (contrabaixo).

São "multi-instrumentistas de origens e trajetórias diversas", que Myriam dirige ao lado de Gabriel Paiva, com o objetivo de "mostrar a personalidade de cada um, no que ela tem de mais interessante". Se o primeiro encontro da série foi de "um lirismo profundo em músicas complexas", o segundo é mais "extrovertido e irreverente". "Outra diferença, é que se trata de um grupo mais eclético, são muito diferentes uns dos outros. Esse contraste fica nítido quando comparamos a delicada e potente voz da Laura à personalidade instigante, sensível e agressiva do Criolo ou os Antônios (Loureiro e Pádua) multi-instrumentistas ou o Kiko que toca violão como percussão e o DJ que toca discos como instrumento, sem falar do virtuosismo técnico do João e a maneira intuitiva do Lula de tocar", diz Paiva.

Dinucci e Criolo assinam cada um 5 dos 16 temas do show - um deles é uma parceria dos dois, Mariô, que está no novo álbum de Criolo e abre o show. Durante os ensaios surgiram várias formações que foram se alterando. "Houve momentos difíceis de escolhas e interferências. Nas duas edições percebemos que há uma tendência de todos quererem participar do repertório inteiro", diz a produtora. Ela frisa que não se trata de um show de oito artistas apresentando seu "desempenho habitual". "Também não são artistas que se juntam numa coletânea. E, finalmente, não se está formando a banda X, que daqui pra frente vai se apresentar."

Atmosferas diferentes. O roteiro do show destaca composições inéditas, mas mais do que isso Myriam diz que o que há de mais criativo são os arranjos de cada tema, "é a combinação entre esses artistas, um jeito de tocar diferente, onde a tentativa é mostrar cada um na sua essência e as possíveis combinações que só um encontro como esse pode provocar".

Em cada música há uma atmosfera diferente. Há, por exemplo, Roda Gigante, de Loureiro e Dudu Nicácio, que será apresentada com scratches, sanfona, violão e voz do compositor, além de "um vocal forte com todos". Um samba nunca cantado por Criolo terá apenas o acompanhamento do piano de Lula.

"As composições do Lula são de um lirismo inacreditável, enquanto o Pádua exibe alegria e virtuosismo. Compõe um tipo de música que exige uma técnica fora do comum. Já João vai impressionar a todos com uma música chamada Alô Irmão, de influência africana", diz Myriam. Com tantos registros históricos dentro do Projeto Memória Brasileira, ela agora contempla a música contemporânea, apontando para o futuro.

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