Tudo muito escuro, tudo muito claro: um tapete bipolar

Análise: Gabriel Villela

GABRIEL VILLELA É DIRETOR DE TEATRO, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 03h06

Um embate glamouroso entre o branco e o preto. Ou tudo muito escuro, ou tudo muito claro. Este ano, o tapete vermelho do Oscar ficou cromaticamente bipolar. Entre as de negro, imbatível foi a beleza deslumbrante da protoanoréxica Angelina Jolie, usando um Versace com fenda na perna e assimétrico no busto. Num estilo um pouco mais duvidoso, Jessica Chastain vestiu Alexander McQueen preto com brocados dourados, lembrando nosso fardão da Academia de Letras.

Também com brocados, mas opostamente de branco, num Elie Saab de um ombro só, Milla Jovovich fez bonito, assim como o Givenchy claríssimo e decotado de Rooney Mara ou o Tadashi Shoji lindíssimo da lacrimosa Octavia Spencer. E quem aguenta tanto tomara que caia? Quando vai, de fato, cair? Embora o Louis Vuitton, coral, talvez cereja, de Michelle Williams mereça todos os nossos aplausos... Na contramão de tudo, num look arrasador, de design meio retrô, estava Penelope Cruz, em seu Armani azul, de chiffon de seda. Estava suave como uma debutante da aurora de nossas vidas. Era um vestido 'calmo', leve, diáfano e inconsútil.

Na moda masculina, destaque para a elegância engessada, blindada, uniformizada, de cinco grisalhos: Brad Pitt, George Clooney, Antonio Banderas, Jean Dujardin e Demián Bichir, um quinteto impecável.

Por fim, para eleger uma só, minha musa da noite, minha rainha do tapete vermelho foi Viola Davis, portando com classe um Vera Wang verde-esmeralda, lindo, absolutamente de acordo com o tom de sua pele. Estava autêntica também no cabelo e no sorriso. Quem superará Viola no ano que vem?

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