Tudo igual e tudo diferente. Reveja a trilogia cult de Raimi

Marc Webb, diretor, e Andrew Garfield, ator, imprimem a sua marca à nova série

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h08

No chat com os atores que se seguiu à apresentação de O Espetacular Homem-Aranha para a imprensa, em São Paulo, Andrew Garfield, falando de Nova York, disse que não tinha a pretensão de ser o intérprete definitivo do papel. Spider Man era e será, para ele, Tobey Maguire, que protagonizou a trilogia de Sam Raimi. Garfield poderia estar sendo sincero, mas seu Homem-Aranha já entrou para a história. Ele é mais frágil, fisicamente, e mais intenso, do ponto de vista dramático, que o antecessor. É perfeito para a concepção do personagem pelo diretor Marc Webb.

Em seu longa anterior, 500 Dias com Ela, Webb mostrou Joseph Gordon-Lewitt como um garoto que se envolve com a sedutora Zoey Deschanel e vive com ela um romance que dura as centenas de dias do título. Como o amor só é eterno enquanto dura, Gordon-Lewitt surta quando a ligação termina, mas a própria Zoey o adverte de que a próxima amante será melhor. Pode ser que as coisas não sejam assim fáceis, mas Marc Webb com certeza trouxe para a nova franquia do Homem-Aranha as noções de aprendizado e educação sentimental do outro filme.

500 Dias com... Emma Stone. Ela faz Gwen Stacy, o primeiro amor de Peter Parker, bem antes da Mary Jane de Kirsten Dunst na trilogia de Sam Raimi. Pode ser que não sejam bem 500 dias, mas, mantida a tradição dos gibis - o fatídico número 121 -, algo muito sério deverá se passar com ela no 2 ou no 3, já que O Espetacular Homem-Aranha abre a nova trilogia para a qual Webb e Garfield foram contratados.

Parece remake de Sam Raimi, até no formato de saga familiar. Peter perde os pais, é criado pelos tios (Martin Sheen e Sally Field) e, picado por uma aranha geneticamente transformada, seu corpo passa por uma mutação para que ele vire o super-herói do título. Tudo se repete - o assassinato do tio, a culpa de Peter, sua escalada como vingador mascarado, que vela pela cidade. Tudo igual, e tudo diferente. A mocinha mudou e agora é filha do chefe de polícia, que duvida do justiceiro mascarado. O vilão não é mais Osborn e sim o dr. Connors, antigo sócio do pai do herói (e tem um alter ego, o Lagarto). A tecnologia, principalmente, é outra.

Em Tóquio, ao apresentar o terceiro filme de sua série, Sam Raimi disse ao repórter que estava realizando ali fantasias que a tecnologia não lhe havia permitido encarar no primeiro. Se a tecnologia mudou tanto entre 2002 e 2007, você pode apostar que mudou mais nos cinco anos decorridos desde o fecho da trilogia anterior. Os voos do Homem-Aranha são mais livres, arrojados, mas o que muda, em definitivo, é o tom. A narrativa é mais leve, mesmo quando a discussão sobre a ciência ou a criminalidade urbana - e o justiceiro - torna-se pesada.

Logo no começo, quando Peter ainda é só um menino e o pai vai sumir de sua vida, aparece fugazmente um cartaz com a cara de Albert Einstein e uma frase atribuída ao cientista apontado como a representação da inteligência humana: "A imaginação é mais importante que o conhecimento". Para reinventar a saga, Marc Webb deixa fluir sua imaginação -, mas volta aos gibis e Peter, na ausência de James Franco, enfrenta Flash Thompson na escola. O fortão que o submete a bullying será vilão mais tarde, mas é bom não se antecipar. Curta a magia de O Espetacular Homem-Aranha e espere pelo que virá. O próprio Andrew Garfield revelou no chat que seu vilão preferido é o dr. Octopus, mas como ressuscitá-lo, se Alfred Molina já lhe deu a interpretação definitiva no 2 de Sam Raimi?

Sam Raimi virou um diretor cult com a série de terror Uma Noite Alucinante, em que renovou o tema dos jovens na casa assombrada. Seu primeiro super-herói foi Darkman e ele parodiou os códigos do western em Rápida e Mortal, com Sharon Stone e Leonardo DiCaprio. No começo dos anos 2000, Raimi assinou com a Sony para criar a franquia do Homem-Aranha. Ele escolheu Tobey Maguire (foto) para o papel e estabeleceu, de cara, um plano para os três filmes. Eles realmente compõem uma saga e, mais que isso, uma tragédia familiar que se completa com o vilão do terceiro, o pai atormentado a que Thomas Haden Church dá intensidade. Mas, como vilão, Alfred Molina, o Dr. Octopus, é melhor no segundo filme, como bem observa Garfield. Você pode ver a trilogia de Raimi em DVD. / L.C.M.

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