Tudo em Elis é intenso e transbordante

"Habemus Elis!", anunciou, sobranceiro, Nelson Motta, pairando entre alívio, excitação e alegria. Por alguns segundos, o tempo parou. Foi um momento emotivo, afinal, encontrar a peça fundamental do projeto depois de receber 3 mil candidatas e iniciar a jornada rumo ao musical, reúne uma bela gama de sentimentos. Bom que seja assim. Tudo em Elis é intenso e transbordante.

João Marcelo Bôscoli/ Especial para O Estado de S.Paulo,

18 de agosto de 2013 | 02h15

Quando desligamos, algumas conclusões assentaram-me o juízo. Percebi ter sempre torcido por alguém novo no papel principal, entre outras razões, pela estreita relação entre Elis e a novidade: nesse campo lançou compositores, músicos, corte de cabelo, circuitos de shows, discos pela janela. Quem sabe lance um talento incomum?

No exercício quimérico de visualizar atrizes da estatura de Bibi Ferreira ou Fernanda Montenegro no papel principal, a impossibilidade de tê-las (caso aceitassem) vem à tona pelo fato de Elis nunca ter completado 37 anos - algo trágico do ponto de vista humano e perfeito como trajetória artística por eternizar a ascensão e desconhecer a decadência. Nesse musical, anatomia é destino.

No teatro, além de cantar bem, é preciso força muscular para encarar as maratonas diárias. Força dramática para construir uma ponte sobre o abismo existente entre Elis e qualquer um que tente reproduzi-la, fazendo-nos acreditar estarmos novamente diante de uma das maiores vozes já registradas. E um pessoa de personalidade incandescente, complexa, repleta de aptidões e sentimentos contraditórios.

Certa vez, Bjork confessou-me não ter coragem de ir emocionalmente onde Elis ia; temia não voltar. De coração, desejo que Laila vá e o público volte. Com talento, força e coragem.

* JOÃO MARCELLO BÔSCOLI, FILHO DE ELIS, É MÚSICO E PRODUTOR MUSICAL

 

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