Tuca Andrade

ELE GOSTA DE EXPERIMENTAÇÕES, DEIXANDO UMA PEÇA INSPIRADA EM KAFKA PARA VIVER O SOBERANO DO MUSICAL O REI E EU, CONTORNANDO COM A GRAVAÇÃO DE UMA NOVELA

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Por que ainda não temos musicais brasileiros?

Principalmente por falta de investimento. Musical é uma produção muito cara, pois envolve um grande elenco, orquestra, cenários e figurinos arrojados. E o acerto só vem depois de muitas tentativas, o que não anda acontecendo. Mas já evoluímos muito, com o surgimento de artistas muito preparados e profissionais de produção. E de um público com gosto apurado, que percebe problemas de som, por exemplo. Acho que é questão de tempo.

Como é a preparação para encenar um musical?

Após meses de muitos ensaios, o ideal é não falar nada nos dias de apresentação. Nem ao telefone. Aos sábados e domingos, quando fazemos duas sessões em cada dia, costumo tirar um cochilo entre uma e outra. É incrível como isso me faz bem.

E como é se relacionar com as crianças, que entram em cena em grupos de 13?

É fácil, pois são todas muito disciplinadas, acho que até mais que eu mesmo (risos). Na verdade, apesar da pouca idade, elas já acumulam experiência, algumas com outras peças, outras na TV e a maioria em comerciais, que é seu grande mercado. Assim, não ficam deslumbradas com uma produção do tamanho de O Rei e Eu como era de se esperar. Nunca tivemos nenhum problema de bagunça ou de brigas entre elas.

Os lapsos de memória são até comuns nas peças, mas o que fazer quando isso acontece durante uma canção?

Não é nada fácil (risos). Passei por isso quando interpretei Orlando Silva, o Cantor das Multidões, no qual cantava 16 canções. Quando fiz uma apresentação no Recife, minha cidade natal, com amigos e minha mãe na plateia, eu entrei no palco para cantar a primeira música, mas só me lembrava do primeiro verso. O jeito foi emitir alguns sons, como palavras incompreensíveis, até me lembrar do restante da letra (risos).

Com tanta experiência como ator, você não pensa em estrear como diretor?

Já pensei nisso. Recentemente, recebi um texto argentino, uma comédia descompromissada para dois atores, e um convite para atuar. Minha intenção era dirigir essa montagem, mas ainda não me decidi.

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