Truckfighters, o estrondo

Cultuado na mesma medida em que é desencanado, o trio sueco de stoner rock estreia hoje no País, no Cine Joia

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h07

Tem gente surtando, dizendo que desde o Nirvana não se ouvia um barulho tão honesto e deflagrador. Mas o fato é que os Truckfighters realmente comovem com tamanha simplicidade e devastação.

Eles vêm de longe, de Örebro, na Suécia, cidade de pouco mais de 100 mil habitantes, cuja maior atração é um castelo do século 13 e que já legou para a cultura pop nomes como a banda punk Millencolin e a cantora dos Cardigans, Nina Persson. Tocam hoje no Cine Joia, na versão paulistana do festival potiguar Dosol, e falaram ao Estado. "Örebro é uma cidade chata, por isso as pessoas têm de fazer música para se divertir", brinca o guitarrista Dango (Niklas Källgren). O baixista Ozo (Oskar Cedermalm), mais sério, conserta. "Quando começamos, havia três clubes legais para tocar, sempre tinha música ao vivo, todo fim de semana alguém que a gente conhecia tocava ali. Hoje em dia tá mais difícil, daí porque eu acho que, nos próximos anos, infelizmente, não haverá bandas novas lá".

A banda tem no núcleo principal apenas Dango (fã de Soundgarden, Pearl Jam, Nirvana, Tool, Kyuss) e Ozo (que já gostou de Deep Purple e Rainbow e hoje ouve Opeth, Katatonia, Anathema). O baterista atual é Oscar Johansson (Pezo). Essa irmandade já deixou pelo caminho dois bateristas diferentes e um guitarrista. "Nós dois sempre fomos as forças motrizes dentro da banda. Se tivéssemos mantido o mesmo baterista nos últimos anos, provavelmente teríamos lançado um disco novo, e consome muito tempo e energia manter um integrante novo na banda. Por outro lado, sempre é divertido e inspirador tocar com alguém novo de vez em quando", diz Ozo.

Também falaram sobre o rótulo "stoner rock", no qual são incluídos: "O significado de stoner rock é um tanto difícil de definir. Algumas pessoas vão pelo som, e não pelo jeito como são compostas as canções. Para mim, stoner rock é o clássico estilo de Kyuss e Fu Manchu, gosto daquilo, mas não fazemos mais isso. Nosso primeiro disco, Gravity X (2005), era mais stoner rock, mas hoje em dia fazemos algum tipo de heavy rock alternativo. Infelizmente, para muita gente, stoner rock tem uma conexão forte com o uso de drogas. É muito equivocado no nosso caso, somos totalmente 'clean', exceto pelo álcool e porque às vezes fazemos música psicodélica bem bacana".

"Pra gente é muito importante o sentimento de estar fazendo algo fresco. Não queremos soar como outras bandas já soam ou como nós mesmos já soamos. Não nos importamos com imagem, só sobre música. Odeio essas bandas que adoram parecer 'cool'. Pose não é algo que pertença ao mundo dos músicos de verdade", diz Dango. "Não acho que sejamos punk rock de jeito nenhum, mas às vezes nós temos aquele tipo de espírito, fazemos as coisas por nós mesmos e de nosso próprio jeito", afirma Ozo.

Divertem-se com comparações, como a que os conecta ao Mars Volta. "Eu não gosto muito das coisas antigas do Mars Volta, mas as coisas novas são muito boas, então talvez seja uma hora boa ser comparado a eles", diz Ozo. O trio acaba de lançar o engraçadíssimo documentário Fuzzomentary. Depoimentos farsescos, um telejornal falso e personagens inventados ajudam a compor um "painel" de sua saga. No filme, o amigo Josh Homme, líder do Queens of the Stone Age, diz que são "a melhor banda que já ouviu na vida". Uma cascata divertidíssima - mas o fato é que são ótimos.

Hoje, antes dos Truckfighters, tocam o Orozco (SP), Vivendo do Ócio (BA), O Terno (SP), Forgotten Boys (SP) e Monster Coyote (RN).

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