Tropicalista soul

Gilberto Gil fala de novo DVD, política, tecnologia e do show que fará com o velho amigo Stevie Wonder

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h53

Um grande show para encerrar o ano: Gilberto Gil e Stevie Wonder tocam na Praia de Copacabana, no dia 25, às 20 h, para um público estimado em um milhão de pessoas. A história de uma bela afinidade musical construída a distância tem mais um capítulo à beira do mar (antes, no dia 23, os dois fazem shows beneficentes no Imperator, no Méier).

Gil conheceu Stevie nos anos 1980, quando fez Só Chamei pra Dizer Que Te Amo, versão de I Just Call to Say I Love You, do cantor e compositor americano. Ambos negros, ativistas, ambos operários do ritmo. Stevie, funk soul brother que está no Olimpo da black music, mudou a face da música moderna com canções como Superstition (1975), base de tudo para dançar que viria depois. Gil foi o aríete do tropicalismo.

O encontro aconteceu em Washington. Gil estava em turnê e lembra como foi: "Estava ensaiando, passando o som de tarde, quando recebi um telefonema. 'Stevie Wonder está em Washington e quer falar com você'. 'Stevie Wonder? Aquele Stevie Wonder?', perguntei. Tinha acabado de gravar a versão de I Just Call to Say I Love You. Liguei e ele disse que queria ver o meu show. Falei 'claro'. E reservamos uns cinco lugares, ele veio com comitiva".

Stevie subiu ao palco e tocou gaita em I Just Call. O americano estava em Washington para uma audiência no Congresso, no dia seguinte. Pleiteava o dia Martin Luther King. "Fomos jantar, depois fomos para o hotel dele. Estava hospedado no Watergate, aquele famoso do Nixon. E foi uma conversa longa, ficamos a noite toda, até as 7h30 da manhã. Ele falando sobre como estava receoso de represálias, sabia que eu tinha uma inserção política aqui no Brasil. E daí nasceu essa camaradagem. Quando ele veio fazer uma excursão no Brasil, pediu para que eu participasse."

Depois disso, Stevie voltou a convite do já ministro Gilberto Gil, em 2006, para um simpósio sobre negritude em Salvador. Quando houve o Rock in Rio, no ano passado, Stevie era um dos astros. "Eu estava em casa, 1 h da manhã, e ele me ligou lá do camarim. 'Gil, você não vem ao show?' Eu não podia, tinha chegado de Salzburg, estava morto. Disse: amanhã vou lhe visitar no hotel. Fui, ficamos horas conversando."

Erasmo Carlos, durante o mesmo Rock in Rio, indagado se gostaria de ver alguma banda em especial ali, respondeu: "Não. Já vi o Stevie Wonder, então já vi tudo!". Agora, um milhão poderá conferir se Erasmo tinha razão.

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