'Tropa de Elite' leva 9 troféus; 'O Ano...' é eleito melhor ficção

Oscar do cinema elege 'O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias' como melhor longa de ficção

Roberta Pennafort, Agência Estado

16 de abril de 2008 | 10h10

Tropa de Elite ganhou nove prêmios na noite de gala do cinema nacional, promovida pela Academia Brasileira de Cinema, mas ficou sem o de melhor filme, concedido a O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Com 13 indicações cada um, os dois já premiados longas eram os recordistas de indicações ao Grande Prêmio Vivo do Cinema (O Ano levou três troféus).  Veja também: Fotos da premiação do cinema brasileiro   Cao Hamburger fez cara e discurso de surpreso ao ouvir seu filme ser anunciado campeão da categoria longa de ficção, depois de ter perdido em tantas outras para Tropa - inclusive a de diretor, ganha por José Padilha, que não foi à premiação, segundo o produtor Marcos Prado, porque estava com suspeita de dengue, que acabou não confirmada. "Estou surpreso mesmo. Mas o que a gente faz é filme. A gente não é criador de cavalo de corrida para ganhar", disse Cao. Antes de entregar o troféu batizado de Troféu Grande Otelo, o presidente da Academia, o cineasta Roberto Farias, havia saído em defesa de Tropa de Elite, que sofreu críticas duras de todos os lados, dentro e fora do Brasil. "Vocês já perceberam como nós somos muito severos com o cinema brasileiro? Se não faz sucesso, a gente cobra. Se faz, a gente cobra também. Viram como cobraram do Tropa de Elite?", disse Farias, que aproveitou para ratificar que as escolhas da Academia não têm "conotação política". A entidade é formada por atores, diretores e produtores, que este ano escolheram entre cem filmes, lançados entre julho de 2006 e dezembro de 2007. Realizada no Vivo Rio, casa do patrocinador, a premiação foi longa, por vezes confusa, e começou com duas horas de atraso. Mas a noite foi salva por alguns discursos inspirados. Wagner Moura, escolhido melhor ator, fez graça: "Fui membro da Academia por dois anos, só que desta vez esqueci de pagar. Nesses dois anos, eu votei em mim, mas não ganhei." Ele foi um dos muitos que dedicaram o prêmio aos filhos. Hermila Guedes despediu-se do público assim: "Filhota, eu estou chegando já pra te dar de mamar!" Ela conseguiu para O Céu de Suely seu único prêmio da noite, o de melhor atriz. Tropa de Elite não deixou para ninguém: venceu nas categorias maquiagem, fotografia (Lula Carvalho venceu o pai, Walter, indicado por O Céu de Suely e também pelo documentário Santiago), ator coadjuvante (Milhem Cortaz), som, montagem, efeito especial, ator, diretor e ainda no voto popular (dado por celular e pela internet). O Ano... ficou com direção de arte e roteiro original, além de melhor filme de ficção.  Esta edição teve até filme feito para celular (coisas do patrocinador...): o eleito foi Putz. Santiago, de João Moreira Salles, ganhou do superpremiado Estamira, de Marcos Prado, e de Jogo de Cena, do mestre Eduardo Coutinho. No quesito figurino, deu Zuzu Angel. O Centro Brasileiro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro foi reconhecido por seu trabalho de preservação de filmes antigos. Os estrangeiros Pequena Miss Sunshine, americano, e A Vida dos Outros, alemão, venceram como melhor longa-metragem internacional, o primeiro pelo voto popular; o segundo pela escolha do júri. Cartola, Música para os Olhos, levou "melhor trilha sonora". Momentos de destaque: Marcos Prado abrindo a bandeira do Tibete; Wagner Moura abraçando efusivamente Paulo José, que lhe entregou seu prêmio, Drica Moraes e o amigo Vladimir Brichta (apresentadores da festa); Camila Pitanga desfilando deslumbrante com sua imensa barriga de grávida, escoltada pelo pai, Antonio, e o irmão, Rocco. Renato Aragão, homenageado pelo conjunto da obra (quatro décadas de carreira, 46 filmes, vistos mais de 120 milhões de espectadores), emocionou a todos. Depois de ver um clipe de cenas de Didi Mocó e seus companheiros trapalhões, já subiu ao palco chorando bastante. "Eu vim da minha terra pra fazer cinema. Quando fiz meu primeiro filme, eu já estava feliz, realizado, achei que podia voltar pra minha terra", lembrou. "(Nos filmes), os bandidos me batiam de um lado e a crítica de outro. Quanto mais batiam, a bilheteria subia."

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