'Tropa de Elite 2' mira o Oscar

Filme foi escolhido por unanimidade por uma comissão convocada pelo MinC

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h07

O maior sucesso em um século de cinema brasileiro vai ser nosso representante na pré-disputa pelo próximo Oscar de filme estrangeiro. Candidato natural, com seus 11 milhões de espectadores em menos de três meses, Tropa de Elite 2 desbancou 14 filmes menores em alcance e em orçamento, entre eles os blockbusters Assalto ao Banco Central e Bruna Surfistinha. Seria o fim da crença de que não se deve tentar emplacar em Hollywood um representante do gênero em que os donos da festa são experts?

Esse havia sido o argumento usado quatro anos atrás, quando o primeiro Tropa foi preterido pela então comissão de seleção em favor de O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger. O filme não chegou à disputa final pelo Oscar, arrematado pelo austríaco Os Falsários.

Na ocasião, alegou-se que, analisados os vencedores anteriores, a história do menino de 11 anos separado dos pais às vésperas da Copa de 70, por dar um "tratamento humano da criança", seria mais competitiva do que a cruzada antitraficantes e anticorrupção do truculento Capitão Nascimento. Tropa acabaria conquistando o Urso de Ouro em Berlim.

O crítico Rubens Ewald Filho, um dos jurados, chegou a dizer que aos eleitores da Academia, "velhinhos" de mais de 60 anos, não agradaria uma temática violenta, e que não valia a pena brigar por um filme que se assemelha a produções americanas.

A comissão é outra; a tese, também. "Em Tropa 2, o rigor técnico serve a um propósito. É uma obra-prima, não há nenhum elemento de idiotização do público. Mesmo que fosse ruim, só pelos 11 milhões já mereceria um olhar", disse Nelson Hoineff, que compôs a comissão - encabeçada por Ana Paula Santana, secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, ao qual cabe a convocação da reunião - com o presidente da Associação Brasileira de Cinematografia, Carlos Eduardo Carvalho Pacheco, o ministro do Departamento Cultural do Itamaraty George Torquato Firmeza, o distribuidor Jorge Peregrino, os cineastas Nelson Hoineff e Roberto Farias e a presidente da LaboCine, Silvia Rabello.

"A cada ano a lista dos candidatos está melhor. O fenômeno Tropa é tão grande que ofuscou os outros", justificou Farias. "Foi uma escolha unânime. A gente considera que Tropa 2 tem muitas qualidades artísticas, e por isso conseguiu convencer o público. A bilheteria nem sempre é levada em conta, mas nesse caso foi um diferencial", disse Ana Paula.

O governo vai ajudar os produtores em sua campanha de promoção no exterior para que o filme fique entre os finalistas. As escolhas da Academia serão anunciadas só no ano que vem.

A equipe de Tropa 2 concorda com a escolha e com a tese da comissão. Não só pelo motivo óbvio de ter sido 'o eleito', o produtor Marcos Prado diz: "Acho que o Tropa 2 tem qualidade e perfil para brigar por uma vaga, sim. Hollywood está mudando, evoluindo e se atualizando em questão às temáticas dos filmes estrangeiros que são indicados".

O diretor José Padilha não falou com a imprensa, pois está "trancado com o roteirista de Robocop trabalhando nos ajustes na trama do filme". A escolha de Tropa 2 como representante brasileiro vem em ótima hora. O filme estreia em seis cidades dos EUA em 11/11. "Já estávamos trabalhando a divulgação por lá, em Seattle, Los Angeles, Nova York... Agora é ajustar a estratégia para fazer com que os votantes da Academia vejam o filme, colocar anúncios nos jornais, revistas, mandar convites. E, claro, continuar sonhando", declarou Prado. / COLABOROU FLAVIA GUERRA

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