Triunfo feito de trabalho, talento e (por que não?) sorte

Jean-Luc Godard e Anna Karina, Domingos de Oliveira e Leila Diniz. Muito antes deles, Josef Von Sternberg e Marlene. A história do cinema é pródiga em diretores apaixonados por suas atrizes. Gustavo Pizzi vem se somar ao grupo. Riscado é uma declaração de amor do cineasta a sua mulher e atriz. O projeto nasceu dela, que queria colocar na tela um pouco de sua experiência.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

Para que uma atriz obtenha reconhecimento - para que tenha "sucesso" -, é preciso mais que talento. No ideograma japonês que serviu de modelo para o casal, sucesso é uma soma de talento, trabalho e sorte. Riscado retira seu título da linguagem dos alfaiates, que dizem que alguém é bom quando entende do riscado.

A personagem de Karine é boa, e certamente entende do riscado, mas enquanto não surge o grande papel ela se veste de Marilyn Monroe e vai para as ruas. Ganha um dinheirinho chamando atenção para lojas e produtos. O filme já começa assim e vai se aproximando cada vez mais de Karine, para dizer quem é essa mulher, quais são seus sonhos e ambições, quais as dificuldades que enfrenta.

Nada muito complicado, mas tudo muito bem pensado. O filme é simples, mas elaborado. O risco seria que, de tanto construir seu filme mentalmente, Pizzi o "engessasse". Sua atriz é tão maravilhosa que, a despeito das dores e decepções que a personagem enfrenta, garante a vida de Riscado.

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