Trio Guarneri: um casamento de 26 anos sobre o palco

Trata-se de um dos principais conjuntos de câmara em atividade - e hoje se apresenta na série de câmara do Cultura Artística Itaim

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2013 | 02h14

Eles estão juntos há 26 anos - e sempre em busca de descobrir algo novo naquele sentimento que os uniu desde o primeiro dia: a paixão pela música de câmara. Foi ela que levou Cenek Pavlík, Marek Jerie e Ivan Klánský a formar o Trio Guarneri de Praga. Trata-se de um dos principais conjuntos de câmara em atividade - e hoje se apresenta na série de câmara do Cultura Artística Itaim.

Eles vão interpretar o Allegretto para piano, violino e violoncelo de Beethoven e o Trio n.º 2 de Schubert. A ideia, explica o violoncelista Jerie em entrevista ao Estado, era montar um programa curto. "Escolhemos o Schubert e então veio a ideia de combiná-lo com este Beethoven mais curto e especial", diz. Antes da apresentação, os músicos conversam rapidamente sobre suas carreiras e o repertório com o público, em bate-papo intermediado pela jornalista Gioconda Bordon.

O segundo trio de Schubert data de 1827 e é uma das últimas peças do escritor, morto um ano depois. Carrega, por conta disso, uma característica dupla, diz Jerie. "Você pode sentir muito claramente um certo otimismo da juventude mas, ao mesmo tempo, há uma profundidade que faz desta peça uma obra-prima no repertório para piano, violino e violoncelo. Não nos cansamos dela."

Jerie conta que a peça faz parte da carreira do trio desde o início. E como sente que a interpretação para ela se transformou ao longo desse período? "É interessante, pois no começo, quando ainda estamos tateando, tentamos tocar tudo o que está escrito, respeitando o temperamento da música ao máximo e com cuidado. Com o tempo, porém, depois de uns dez anos, você começa a desenvolver uma outra relação e ela permite estabelecer leituras mais pessoais, com atenção especial a algumas frases, algumas passagens específicas."

E é nesse processo de redescoberta que o trio faz sua trajetória, explica Jerie. "Quanto mais desenvolvemos nosso trabalho conjunto, mas nos sentimos prontos para descobrir em cada peça possibilidades para o surgimento de sons diferentes." Ao mesmo tempo, há uma preocupação em ampliar o repertório. "Quando um trio nasce, tem que tocar Beethoven, assim como um quarteto deve tocar Haydn. Só então você pode se abrir e, neste caminho, trabalhar principalmente a riqueza de estilos de época." / J.L.S.

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