Trio é dono de rica usina musical

Concertos para violão contam-se nos dedos da mão; e os para percussão são ainda mais raros. Por isso, é muito bem-vindo o CD da Osesp que registra pela primeira vez dois concertos para estes solistas, escritos por Francis Hime e Nelson Ayres. Suas notáveis carreiras os alçaram ao nível do que poderíamos chamar de música brasileira, sem adjetivos, pois combinam a sofisticação erudita no artesanato criativo com a acessibilidade e pulso característicos das músicas populares.

Entrevista com

Crítica: João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Hime, rica usina de belas melodias, mergulha no universo popular jobiniano em seu concerto para violão. A excelente escrita recebe uma leitura formidável de Fábio Zanon. No geral, um rigoroso corte & costura diminuiria o concerto dos seus atuais 37 minutos para pouco menos de 20, sem prejuízos essenciais. Já Ayres se arrisca mais no Concertino para Percussão e Orquestra. Ele mesmo escreve no folheto do CD que quis fugir do "exótico" e "dos ritmos brasileiros". Fez isso na primeira versão, mas depois, "ao passar lixa grossa aqui e ali para aparar alguns excessos", enfiou a fórceps um frevo na metade final de "Untcha-Untcha". Logo ele, especialista no gênero, transformou-o em corpo estranho neste concerto. Mas uma lixa grossa conserta isso rapidinho.

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