Trio é clássico e atual como um belo terno italiano

Grupo é um dos mais importantes da nossa história

JOÃO MARCELO BÔSCOLI,

18 de julho de 2013 | 03h04

Por muitas razões, o Zimbo Trio é um dos grupos mais importantes da nossa história. Nasceu em um momento mágico do Brasil, em que artistas extraordinários parecem ter combinado em aparecer simultaneamente, tamanha a sincronia e abundância de talentos surgidos.

Ajudaram a desenvolver uma linguagem jazzística aplicada aos gêneros brasileiros, se apresentaram com Elizeth Cardoso, Elis Regina, Baden Powell e Jacob do Bandolim, entre muitos outros gigantes, fundaram (e são) uma escola de música, contribuindo de maneira inestimável para a formação e desenvolvimento de muita gente. De tanto saber, passaram a ensinar.

A popularidade do Zimbo Trio, incomum para um grupo instrumental, começou quando participaram do programa de TV O Fino da Bossa, com Elis e Jair Rodrigues. Campeão de audiência, O Fino apresentava semanalmente ao País um grande elenco de artistas novos e consagrados, todos acompanhados pelo grupo. Os convites de trabalho explodiram - tanto para shows juntos quanto para tocar com outros músicos.

Conhecidos pelo grande público e com prestígio no meio, tiveram disciplina e disposição de criar uma agenda tripla: a individual, em que cada um dos três integrantes conduzia sua carreira de músico a todo vapor; a do grupo, com seus discos e shows; e uma terceira, fruto das colaborações do Zimbo com outros artistas. Enquanto aprimoravam-se, criaram uma assinatura e um legado musical.

Clássico e sempre atual como um belo terno italiano, Zimbo Trio representa um jeito de fazer música que, por sua complexidade, não permite enganação: quem sabe toca, quem não sabe bate palmas.

Se não for do ramo, não dá para apresentar um número sequer. Por terem trabalhado na construção da música brasileira, conquistaram o direito de fazer tudo, menos parar de fazer música.

JOÃO MARCELO BÔSCOLI É MÚSICO E PRODUTOR MUSICAL

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