Trio de atores interpreta o rei do baião em 'Gonzaga'

Só em dezembro o Brasil estará comemorando o centenário de Luiz Gonzaga, pernambucano de Exu que virou a própria expressão da alma e da identidade brasileiras. Antes disso, já a partir de sexta-feira, um filme estreia em centenas de salas de todo o País e, em "Gonzaga - De Pai pra Filho", o Brasil vai encontrar não um, mas três intérpretes de Gonzagão. Land Vieira, o mais jovem, Chambinho do Acordeão, o intermediário, e Adélio Lima, o mais velho.

AE, Agência Estado

23 Outubro 2012 | 10h49

São tão perfeitos que você será capaz de jurar que o velho Gonzaga fugiu de algum túnel de tempo para comparecer à própria festa. O mais impressionante é que a semelhança nem é tanto física. O formato do rosto até é mais parecido com o do diretor Breno Silveira, e será o caso de se perguntar por que ele escolheu atores com essa semelhança. A identidade maior é de temperamento. Está no gesto, na música.

Cada um tem seu grande momento em cena - "Peste, gosto demais de tu na hora da despedida do pai, no quartel", diz Adélio para Land e o jovem Gonzaga responde - "É, mas ali quem é bom mesmo é o Cláudio (Jaborandy, que faz o pai)." Chambinho tem cenas memoráveis, mas outra grande cena é quando ele volta ao sítio da família. "Ó de casa!", chama o pai (Jaborandy, de novo e mais uma vez admirável). Adélio é insuperável quando Júlio Andrade, como o filho, Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., o Gonzaguinha, lhe atira na cara que está por baixo. "Você não tem o direito de me humilhar assim", ele diz, e você sente a dor.

Com sua sanfona, Luiz Gonzaga, o rei do baião, cantou o Brasil, colocou seu amor na voz e na música. Mas Gonzagão, como era chamado, tão amoroso do povo, teve uma difícil relação com o filho, que também deu voz e cara ao País. Gonzaguinha o fez num outro contexto, sob a ditadura militar, da qual o pai, num determinado momento, se arriscava a ser o bufão. Essa história chega agora ao cinema e é bom você ir preparando seu coração.

Breno Silveira ama as histórias de pais e filhos. Você sabe disso, basta lembrar o fenômeno "2 Filhos de Francisco" e, mais recentemente, "À Beira do Caminho". Há expectativa de que "Gonzaga - De Pai pra Filho" venha a ser outro filme-rio, no qual deságue a emoção do público brasileiro.

Como cobre um período muito grande de tempo - a vida de Luiz Gonzaga, da juventude à velhice, a de Gonzaguinha, da infância à maturidade -, "Gonzaga" faz com que diversos atores se revezem nos papéis. De Gonzaguinha, você vai reter principalmente Júlio Andrade, tão perfeito na recriação do personagem que provocou verdadeira comoção nos filhos e na mulher do criador de "Explode, Coração". Vai ser mais difícil escolher o melhor Gonzagão - Land Vieira, Chambinho do Acordeão ou Adélio Lima. Três atores que criam um mesmo personagem e produzem na tela um milagre - uma mesma interpretação. É como se o mesmo intérprete atuasse com maquiagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

GONZAGA - DE PAI PRA FILHO

Direção: Breno Silveira. Gênero: Drama (BR/ 2012, 120 min.). Classificação: 12 anos.

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