Edison Vara/Reuters
Edison Vara/Reuters

''Trilegal. mais fortchê. Aaaaah, eu sou gaúcho''

Paul McCartney esbanjou simpatia e provocou momentos hilários no Beira-Rio

Lucas Nobile / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Junte todas as décadas de Gre-Nal (o clássico entre Grêmio e Internacional) e veja a história de disputa entre os dois times ficar pequena. Tanta rivalidade, mesmo mixando em uma coqueteleira as alegrias dadas às torcidas por Paulo Roberto Falcão, do Colorado, e Renato Gaúcho, hoje treinador e outrora ídolo do título mundial do tricolor gaúcho, pareceu diminuta anteontem. O responsável atende há 68 anos por Paul McCartney.

Fazia 17 anos que ele não tocava no Brasil, sem contar que nunca havia se apresentado em Porto Alegre. E, desde então está aberta a temporada nos laboratórios para estudar o fenômeno. Elegante, de paletó roxo, calça e suspensórios pretos e camisa branca, Paul parece um menino que viveu quase sete décadas, a grande parte delas como um dos maiores hit makers da história. São Paulo pode esperar um Beatle que ainda tem voz e vitalidade para fazer apresentações absolutamente históricas.

Abusando da simpatia, como já havia feito no Hotel Sheraton, onde estava hospedado, Paul jogou para a torcida. Pediu coro em Hey Jude - atuando como um Liminha do Gugu -, rebolando e dividindo o coro de mais de 50 mil pessoas em "agora só homens", depois "só as mulheres" e, finalmente, "todo mundo", em bom e decorado português. Populista, escolado, lendário, ele tentou aprimorar a pronúncia e disfarçar o sotaque, mas recalcou com um italianês da Mooca. Fez coraçãozinho com as mãos à la imitões da família Restart. Exacerbou, e quase pôs o Beira-Rio abaixo ao mandar um "Trilegal. Mais fortchê. Aaaaah, eu sou gaúcho". E chegou ao ápice ao chamar duas meninas da plateia que carregavam um cartaz pedindo para tatuar o nome dele e escreveu seu nome no braço de ambas, que o abraçaram e beijaram, aos prantos, diante de mais de 50 mil pessoas.

O repertório teve ligeiras modificações em relação ao que ele vinha apresentando em Up and Coming Tour. O show, que chega a São Paulo, nos dias 21 e 22 deste mês, já faz o público esperar por uma banda redonda e um espetáculo de imagens nos telões e variações de instrumentos do Beatle. Ao longo de três horas, ele abusa na canhota com o baixo, diferentes guitarras, ukulele e piano - um de cauda e outro colorido e psicodélico. Com destaque para Something, dedicada ao "amigo George Harrison", com lindas imagens do guitarrista no telão. Além do momento hilário, em Back in the U.S.S.R., com vídeos de danças típicas russas, como a polca sendo exibidos.

São Paulo que se prepare para não apenas a maior ovação do ano, mas em quase duas décadas, com direito a dois bis, com Paul bradando a bandeira do Brasil, chuva de papel picado em verde e amarelo e um gran finale com Day Tripper, Get Back, Yesterday e Sgt. Pepper"s Lonely Hearts Club Band. Para todos os lados que se olhava via-se uma choradeira não só de mulheres, como também de marmanjos desesperados em emoção, levando às mãos à cabeça, parecendo não acreditar no que viam e ouviam em Porto Alegre.

O REPERTÓRIO

Venus and Mars/ Rockshow/ Jet

All My Loving

Letting Go

Drive My Car

Highway

Let me Roll It

Long and Winding Road

1985

Let Me In

My Love I''ve Just Seen a Face

And I Love Her

Blackbird

Mrs. Vanderbilt

Eleanor Rigby

Something

Sing the Changes

Band on the Run

OB-LA-DI, OB-LA-DA

Back in the U.S.S.R.

I Gotta Feeling

Paperback Writter

A Day in the Life

Let It Be

Live and Let Die

Hey Jude

BIS

Day Tripper

Lady Madonna

Get Back

BIS

Yesterday

Helter Skelter

Sgt. Pepper"s Lonely Hearts Club Band.

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