Tributo justo a quem vence todas com humildade

'Apesar de ser escolhido, por merecimento, entre oito ou dez atores de magnitude semelhante, ele teve de enfrentar o descrédito da mídia e a ironia de muitos companheiros de ofício', diz Manoel Carlos

Manoel Carlos,

12 de dezembro de 2012 | 19h30

Giane é uma explosão. Antes, muito antes de ser um homem de talento, bonito e de sorte, é um homem de boa vontade, de garra, de quem acredita que tudo que é benfeito, certamente foi realizado com esforço, mais do que com a sorte. Aliás, o Giane não é muito de falar em sorte, nem em destino, mas de trabalho, trabalho duro, muitas vezes realizado em circunstâncias adversas, como foi o seu começo na TV, do qual eu participei ativamente. Apesar de ser escolhido, por merecimento, entre oito ou dez atores de magnitude semelhante, ele teve de enfrentar o descrédito da mídia e a ironia de muitos companheiros de ofício. E eu, que fui ator ao lado dos maiores nomes do teatro brasileiro, que conheço de perto as grandes, as médias e as pequenas atrizes, posso garantir a vocês que elas - as atrizes - são as mulheres mais generosas e ao mesmo tempo mais cruéis da espécie.

Meu Deus! Vocês nem imaginam quanto uma atriz pode ser cruel, se assim o desejar. E o Giane enfrentou algumas já na sua estreia, jogado aos leões, ou melhor, às leoas, que não o pouparam. Não se perdoa com facilidade alguém como ele. “Como pode ser tão talentoso, tão esforçado, tão generoso e ainda ser bonito?” Era muita coisa para ser engolida assim, a seco.

Mas foi uma vitória. Uma vitória minha, do Ricardo Waddington e dele, do Giane, principalmente.

Nós o escolhemos como o favorito entre os jovens que fizeram o teste. Eu e o Ricardo não tínhamos dúvida de que ele era o melhor entre todos. Fechamos com ele. Mas eu, mesmo assim, quis fazer um teste - aproveitando uma reunião que a minha filha Júlia estava fazendo, em casa, com algumas amigas da mesma idade, jovens entre 17 e 20 anos. E eu disse que ia mostrar alguns testes que havíamos feito e queria que elas votassem naquele que achassem o melhor entre eles.

Coloquei o DVD com os testes, que foi correndo, provocando pequenos comentários, em voz baixa, até que apareceu o Giane. E como se fosse uma reação combinada, as jovens que ali se encontravam gritaram ao mesmo tempo, num coro consagrador. Nem era preciso votar. Era uma unanimidade.

E a escolha das jovens do mais bonito foi ao encontro de quem era também o que mais apresentava condições de se distinguir. E tanto isso é verdade, que ele foi o único que fez uma carreira brilhante, que trilha até hoje, agora já reconhecido pela mídia e respeitado pelas atrizes, mesmo as mais cruéis.

Me envaidece ter participado dessa história com o Ricardo Waddington. Uma história que eu vou lembrar para sempre.

Este livro do Guilherme Fiúza é um tributo justo, um testemunho humano, rico e precioso, que se faz a um jovem que vem vencendo todas com humildade e sabedoria. Palmas para os dois: Giane e Fiúza.

MANOEL CARLOS é autor de telenovelas

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