Tributo ao samba de Mauro Duarte

No dia 2 de junho ele completaria 80 anos. Faz mais de duas décadas que partiu, em 1989, e a impressão que fica é que a dívida a ser paga pelos sambas de Mauro Duarte nunca será quitada. Tudo porque o compositor e intérprete nascido na mineira Matias Barbosa, que se mudou para o bairro de Botafogo, no Rio, aos 3 anos, morreu coberto de glórias no meio musical, mas pouco reconhecido do público.

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 00h00

Parceiro de Paulo César Pinheiro, Elton Medeiros, Noca da Portela, Paulinho da Viola, entre tantos outros, Bolacha - apelido que ganhou por ter o rosto arredondado - teve seus temas mais famosos gravados por nomes como Clara Nunes, Elza Soares, Maria Bethânia, MPB-4, Alcione, Teresa Cristina, Elizeth Cardoso, Márcia, Walter Alfaiate e o próprio Paulinho.

Além disso, Mauro Duarte teve outros sambas registrados por nomes de menor expressão e deixou mais alguns inéditos. Esse quinhão de seu repertório poderá ser ouvido hoje e amanhã na choperia do Sesc Pompeia, graças ao competente trabalho do Grupo Samba de Fato e da cantora Cristina Buarque.

Os shows, com participação de Elton Medeiros, são resultado do disco duplo O Samba Informal de Mauro Duarte lançado em 2008 e que chega agora a São Paulo. Nas apresentações, 19 dos 30 temas do álbum serão tocados por gente que empresta à obra deste compositor de primeira linhagem o cuidado merecido. Ao contrário de paraquedistas do mercado, Pedro Miranda (pandeiro e voz), Pedro Amorim (cavaquinho e voz), Alfredo Del-Penho ( violão 7 cordas, violão, voz, produção e pesquisa) e Paulino Dias (voz e percussão) conseguiram enriquecer canções de Bolacha, como Mineiro Pau, sua última composição, as obscuras Sofro Tanto, gravada por Cláudio Savaget, em 1979, A Água Rolou, com único registro em um LP do cantor Portella, de 1992, Não Sei, com Noca da Portela, do álbum raro da cantora Sônia Santos, de 1975, além do grande destaque, Acerto de Contas.

É mais um exemplo da Deckdisc de preservação da obra de importantes compositores, como já havia feito com o legado de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, com Vamos Acabar com o Baile, gravado por Henrique Cazes (cavaquinho e violão tenor) e Marcello Gonçalves (violão 7 cordas). "A gente procurou inéditas ou menos conhecidas. O Mauro não foi reconhecido à altura do que era, um compositor genial. Muita coisa ficou fora do CD", diz Cristina Buarque.

O SAMBA INFORMAL DE MAURO DUARTE

Sesc Pompeia. Choperia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Hoje e amanhã, 21h30. R$ 4 a R$ 16.

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