Tribo de Gonzaga, som que abala a net

Forrós, xotes e baiões, riffs de guitarra, citações de Bob Marley, Sting e Peter Gabriel... Tem tudo isso no show da Tribo de Gonzaga, formada há quatro anos e com milhares de seguidores na internet. Já no CD de estreia do grupo, De Mudar o Coração de Cada Um, a sonoridade é mesmo a nordestina. Nove das faixas são autorais e três são regravações de grandes nomes da MPB (Milton Nascimento, Joyce, Lenine).

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Ecletismo é mesmo a marca do grupo criado em 2006 por Guido Martini (violão), Gabriel Tauk (baixo) e Toni Magdalena (triângulo), hoje com o reforço de Bruno Guimarães (flautas e saxofones), Guto Menezes (cavaco e viola) e Yuri Garrido (zabumba e percussão). Todos cantam, todos têm seu momento de destaque nos shows. É quando eles mostram suas (variadas) influências: Guido é fã de pop rock; Gabriel toca jazz como hobby; Guto e o pandeirista Igor Nicolai, que os acompanha, são do choro.

Tudo começou numa casa de shows em Itaipava, distrito de Petrópolis, a cidade natal dos músicos. Por quase três anos, eles tocaram forró todas as quintas-feiras. A cada semana amealhavam mais e mais fãs, que se multiplicaram pela internet. "Foi ali o nosso Cavern Club", brinca Guido. Ele conta que o batismo do grupo se deu sem se pensar muito. "A gente precisava botar o nome rápido e assim ficou."

O Rei do Baião está no repertório dos shows, com Asa Branca, O Xote das Meninas, Baião, Sabiá, e Súplica Cearense, assim como Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Elomar, Chico Science, Alceu Valença, Zeca Baleiro... "Não gosto de rótulo, limita. Não somos um grupo de forró, mas de música brasileira. É quase uma missão mostrar que música nordestina e brasileira é uma coisa só", diz Gabriel. "Se o cara for ao show pensando que é forró e ouve Deep Purple, não dá certo."

No disco, Guido, Gabriel, Toni e músicos amigos assinam faixas que falam de amor, festa, suor e lágrimas. De Guido, Gabriel e Fernando Madá, que participa do CD tocando zabumba, Quando Eu Te Vi (Quando eu te vi/ os meus olhos se encheram de cor) é a mais cantada nas andanças dos músicos por aí. Clube da Esquina nº 2 (Milton Nascimento/Lô Borges/ Márcio Borges), Mistérios (Joyce/Maurício Maestro) e A Lavadeira do Rio (Lenine/ Bráulio Tavares) são as regravações.

Da cidade serrana de 300 mil habitantes, eles chegaram à capital. Já cantaram na Lapa e no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a maior referência no Rio da cultura do Nordeste. O segundo CD do grupo já está a caminho. Para quem quiser saber mais sobre esta tribo: http://www.myspace.com/tribodegonzaga.

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