Três mostras de arte contemporânea na Estação Pinacoteca

As exposições de Marina Saleme, Cláudio Cretti e Carlito Contini na Estação Pinacoteca revelam como são vastos os caminhos da produção contemporânea. Essa sensação de diversidade pode ser sentida não apenas na contraposição entre as três mostras, mas no interior de pelo menos duas delas. Marina Saleme, pintora atuante desde a década de 80, se aventura no campo da fotografia. Busca um diálogo, ou melhor uma sintonia, entre o olhar instantâneo captado pela máquina e o fazer vagaroso da pintura. Cláudio Cretti explora uma grande diversidade de materiais, gestos e formas que se entrelaçam, em elos misteriosos, numa espécie de panorama de sua produção escultórica recente. Contini, em contraposição, concentra-se de maneira pouco comum a uma única série de telas nas quais repete a mesma construção ótica, a mesma relação - metódica, obsessiva e plasticamente muito sedutora - com a pintura.Quase como num jogo, ele estabelece e repete a relação entre as formas. Linhas dividem a tela em campos geométricos, círculos tencionam a tela em contraposição ao fundo (da mesma cor mas de tom diferente) e há sempre uma figura quebrando a composição e dando-lhe uma aura místico-religiosa (o termo é do próprio artista, para definir esses únicos elementos narrativos). Também há uma sintonia, uma espécie de fio condutor simbólico que une as cores e as imagens eleitas, numa forte conotação simbólica.A relação entre cor e forma também é de suma importância para Marina Saleme. Seus trabalhos, que equiparam foto e pintura de maneira ousada, nascem de uma série de imagens tiradas numa viagem ao Canadá há dois anos. O título, Contadores, refere-se às réguas usadas para medir o volume de água de um rio e que fascinaram a artista não apenas pela relação que estabelecem entre a contagem de tempo e de espaço, mas também por sua relação com as escoras transversais que a sustentavam. "Não tinha muita consciência, não foi algo projetado", diz ela. Como que tateando entre as cenas que lhe atraíam - seja pelas cores, pela estrutura formal ou relação compositiva -, ela foi estabelecendo nexos curiosos, mais sensíveis do que racionais, entre fotografias e pinturas.Cretti também ousa, sobretudo na escolha dos materiais: mármore, pedras brutas, grama, luzes néon... Estes são alguns dos materiais que o escultor - que se iniciou no desenho, e ainda parece relutar em abandonar o plano, situando suas obras praticamente ao nível do chão - utiliza nas três peças selecionadas para a exposição. Além da experimentação, as obras têm outra interessante característica em comum: sua fragmentação. O artista parece trabalhar mais por oposições ou na pior das hipóteses transmutações (como se vê em Céu Tombado) criando campos tensos, uma teia sutil e misteriosa que une tudo.Três artistas, três exposições distintas que, no entanto, terminam por tocar numa mesma questão, irresolúvel mas nem por isso menos fascinante: a misteriosa pulsão que leva o artista à ação, que o faz tomar este e não aquele caminho, a adotar uma determinada linguagem, material ou poética para se expressar. Carlito Contini, Marina Saleme e Claudio Cretti. Estação Pinacoteca. Largo Gal. Osório, 66, 3337-0185. 3.ª a dom., 10 às 18 h. R$ 4 (sáb. grátis). Até 16/7

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