Três das mais importantes companhias de dança da França chegam a São Paulo

O Ballet Nacional de Marseille, a cia. DCA e o Ballet Béjart Lausanne se apresentam neste mês

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES - O Estado de S.Paulo,

14 de setembro de 2012 | 03h02

(Misto: Marseille mescla geometria e espontaneidade. Foto: Divulgação)

São Paulo sofre a partir desta sexta-feira, 14, uma invasão francesa. Ou, melhor dizendo, uma invasão de sapatilhas francesas. Nas próximas duas semanas, três das mais destacadas companhias do país aportam na cidade. Até domingo, o Ballet Nacional de Marseille dança no Sesc Vila Mariana. Na sequência, a cia. DCA, de Philippe Decouflé, estará no palco do Alfa e o celebrado Ballet Béjart Lausanne fecha o ciclo apresentando-se no Municipal.

A passagem dos três conjuntos pela cidade em um mesmo período não é mais do que coincidência. Ainda assim, trata-se de rara oportunidade de constatar a potência e a diversidade da dança europeia.

Na bagagem dessas companhias estão algumas de suas mais recentes coreografias. Mas também clássicos de seus repertórios. Chance de ver, lado a lado, passado e presente. De cotejar de experimentações contemporâneas a festejadas criações da dança moderna. Além de mirar o encontro da arte com manifestações da cultura pop.

O Ballet de Marseille, que antes de chegar a São Paulo foi um dos destaques do festival Porto Alegre em Cena, traz duas peças para a turnê brasileira. A mais nova delas, Organizing Demons, estreou em abril deste ano, na Suíça. É assinada pelo israelense Emanuel Gat, coreógrafo convidado do grupo. "Importante para Gat não são propriamente os movimentos, mas a energia que existe entre nós", considera a bailarina Katharina Christl.

A companhia do Sul da França foi fundada em 1972, por Roland Petit: astro maior da constelação de seu país e um dos mestres do balé narrativo. Na direção contrária, Organizing Demons é completamente abstrata. "Organiza-se instintivamente. Sem que nenhum movimento seja imposto", analisa Katharina.

Sem sair de cena em nenhum momento, os cinco dançarinos movem-se em conjunto, como se seguissem um fluxo. A despeito da naturalidade aparente, não existe espaço para improviso. Tudo é preciso, fixo.

A ausência de virtuosismo dessa primeira coreografia contrasta imensamente com aquilo que se vê no segundo título da noite: Tempo Vicino. Nessa obra de 2008, Lucinda Childs traz algo de majestoso. Dividida em três partes, Tempo Vicino parece estar milimetricamente demarcada pela árida música de John Adams. "Tem um estilo quase matemático, geométrico", define o dançarino Vito Giotta.

É a primeira vez que o Béjart Ballet de Lausanne retorna ao Brasil após a morte do seu criador, Maurice Béjart, em 2007. Conduzido hoje por Gil Roman, o grupo superou o luto. "Resolvi convidar coreógrafos e seguir o caminho natural de uma companhia ", disse Roman, em entrevista ao Estado. "Retomamos os balés criados por Béjart e também investimos em novas obras."

Apesar de já ter se aventurado a conceber coreografias inéditas, as peças do mestre permanecem como carro-chefe. O diretor acredita que o próprio Béjart não gostaria que a companhia se transformasse em uma espécie de museu. Mas ressalta a importância de manter a sua arte. "Os balés de Béjart já são nossos. A sua continuidade está no trabalho dos bailarinos, no grupo", argumenta.

Parte da programação do centenário da Cultura Artística, as apresentações no Municipal de São Paulo contemplam coreografias clássicas de seu fundador. Ce Que l'Amour Me Dit, a partir da partitura de Gustav Mahler. Cantate 51, apoiada na obra de Bach, e Bolero, referência explícita à composição de Maurice Ravel. Nelas, também estará evidente uma das marcas do criador: sua proximidade com o pensamento filosófico, em especial com o ideário de Nietzsche. Nem por isso, lembra Roman, a plateia estará diante de propostas herméticas. "O público está testemunhando um feito da imaginação. E a imaginação é para todos."

Béjart é a iguaria fina desse "cardápio" oferecido a São Paulo. Mas nem só de "haute cuisine" vivem os franceses. Com colaborações para o Cirque du Soleil e uma evidente inclinação pop, Philippe Decouflé costuma agradar a um amplo público, até mesmo os não iniciados. Octopus, peça que sua companhia lançou em 2010, não destoa desse espírito. Margeia o universo do circo e investe fortemente nos efeitos especiais. Além de coreógrafo, Decouflé é cineasta, o que ajuda a explicar a onipresença de recursos audiovisuais no espetáculo. A cada gesto dos bailarinos corresponde uma imensa animação, projetada instantaneamente no telão que há no palco.

BALLET NACIONAL DE MARSEILLE

Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3000.

Hoje e amanhã, 21 h; dom., 18h. R$ 32.

CIA. DCA

Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000.

De 21 a 23/9. R$ 40/R$ 150.

BÉJART BALLET LAUSANNE

Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel. 3397-0327.

De 27 a 30/9. R$ 150/R$ 39.

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