Três CDs contam história do Festival Marlboro

Lançados pelo selo Marlboro Recording Society, discos fazem panorâmica pelo evento que completa 60 anos

O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h08

O Marlboro Music Festival nasceu em 1951 na pequenina cidade de Marlboro, de 1.000 habitantes fixos, em Vermont, nos EUA. E em 2011 comemora seus 60 anos em grande estilo. Hoje dirigido pelos pianistas Richard Goode e Mitsuko Uchida, acaba de lançar três CDs com momentos marcantes de sua história.

Sua principal característica é a busca da excelência artística. Grandes artistas tocam com jovens músicos por sete semanas - duração espantosa para os padrões nativos. Lá os músicos preparam cerca de 240 obras por edição, segundo o site www.marlboromusic.org. As primeiras três semanas são dedicadas aos ensaios; e depois, entre meados de julho e meados de agosto, todos mostram em concertos para a comunidade o que prepararam.

"Há algo de especial no sentido de comunidade em Marlboro que é realmente tocante, porque a experiência musical e a pessoal caminham juntas. Isso dá uma espécie de energia cumulativa e um ambiente geral caloroso que fazem seu fascínio", nas palavras de Richard Goode. De seu lado, a notável pianista Mitsuko Uchida acrescenta que "esse é o fator mais importante para nós. Vivemos juntos, comemos juntos, fazemos música juntos e respiramos música. Viajo tanto durante a temporada... Em que outro lugar no planeta você convive com o mesmo grupo de pessoas por cinco, seis e até sete semanas? Isso não existe no restante do mundo - e, sem dúvida, nos transforma".

Os três CDs, do selo Marlboro Recording Society, fazem uma panorâmica minimalista mas atraente por brilhantes performances históricas. O primeiro, de 2007, junta os quartetos de cordas de Ravel e Debussy; o segundo traz um Il Tramonto de Respighi de 2010 com o ciclo de canções sobre poemas hebraicos de Shostakovich de 1967. O terceiro destaca-se porque nos traz Uchida fazendo música de câmara de Beethoven e Schubert. E também porque o violoncelista é o celebrado David Soyer, fundador do Guarneri Quartet em 1964 e cofundador do festival. Soyer morreu em fevereiro de 2010, aos 87 anos, daí o tributo.

Não se sabe o que mais admirar nessa gravação feita ao vivo em concerto no dia 16 de julho de 2005 em Marlboro do trio Arquiduque, opus 97, de Beethoven: se a finesse do piano de Uchida ou o imenso cantabile do violoncelo de Soyer; e mesmo a justeza de Soovin Kim ao violino. Os ares da "montanha musical", como Alex Ross chama o célebre festival em um dos capítulos de seu recém-lançado livro Escuta Só, são mesmo mágicos.

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