Três atrizes encenam as muitas faces de Pagu

Patricia Galvão, a Pagu, foi a primeira a reconhecer o talento de Plínio Marcos ao ler a peça Barrela. Ela ainda o estimulou a ler outros autores, entre eles Beckett. Realizou uma montagem de Fando e Lis, do espanhol Fernando Arrabal, dez anos antes da primeira montagem européia, em Paris. Escreveu artigos sobre o teatro de Beckett, Ionesco, Arrabal e Artaud. Lutou pela construção do Teatro Municipal de Santos. A faceta teatral dessa artista de intensa atividade literária e política é o foco central do espetáculo Pagu Que (título criado a partir de uma de suas poesias), com dramaturgia e direção de Christiane Tricerri que estréia amanhã no Sesc Belenzinho.Julgadores apressados podem associar a estréia ao desejo de pegar uma carona no sucesso da minissérie Um Só Coração. "Minha paixão por Pagu começou aos 17 anos. Na época, fascinava-me a Pagu jovem, performática, que andava pela rua com o rosto pintado de amarelo e roxo, militante, que falava poesias em público", diz Christiane. "Agora, madura, minha atração maior é pela Pagu dos últimos anos, quando o teatro entrou em sua vida." Patricia Galvão nasceu em 1910, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, e morreu em Santos, em 1962.No espetáculo, Christiane é a intéprete da Pagu madura, mas isso não significa ausência de suas múltiplas facetas. Majeca Angelucci vive a incendiária dos primeiros tempos, a artista de vanguarda, considerada por alguns musa da poesia surrealista. "Majeca tem uma formação circense, clownesca, muito apropriada a esse período performático da Pagu", observa a diretora. Germano Melo, o único ator do elenco, interpreta os diversos personagens masculinos, entre eles Oswald de Andrade e o poeta surrealista Crèvel. Cabe a Sabrina Greve dar conta da ativista política abordada, na montagem, também através da personagem central de Parque Industrial, o primeiro romance proletário brasileiro, publicado em 1933, sob o pseudônimo de Mara Lobo, a conselho do Partido Comunista Brasileiro, pelo qual Pagu militava. Em 1931, ela havia sido presa pela primeira vez, num comício. A segunda prisão virá em 1935, desta vez por um período de quatro anos. "Ao sair do cárcere, entra em contato com o teatro."Cada ambiente, seja no Brasil ou no exterior, é sugerido por elementos cênicos. "É maravilhosa a cenografia de André Cortez, que delimita sem limitar." Christiane criou a dramaturgia do espetáculo a partir dos diversos textos da escritora. "Fiz algumas inserções, até mesmo de uma poesia minha, mas na maior parte do tempo é a voz de Pagu que está no palco."

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