Trecho

"Passou-se o

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2012 | 03h10

tempo, e ainda em dias do século passado, certa vez, minha Avó, decidindo dar um baile,

contratou uma

pequena orquestra, como era costume então nas famílias abastadas...

...O pianista que compareceu, substituía um outro de grande voga, mas impossibilitado por doença. Depois de ouvi-lo tocar, minha Avó chegou-se a êle e indagou seu nome. Foi quando, com a timidez habitual, o pianista identificou-se como o filho daquela senhora, que há anos passados costumava frequentar a casa de minha Avó e com ela tocar: Ernesto Nazareth. A tais saraus comparecia um senhor taciturno, também muito tímido, circunspecto, mas altamente distinguido por minha Avó: chamava-se MACHADO DE ASSIS. Ia ouvir a recitação de seus versos (de que hoje quase ninguém fala) ao som da indefectível - Dalila - ou sei lá se outra glicerina musical. O fato é que - e isso me parece muito importante - sempre que podia, achegava-se ao pianista Ernesto Nazareth e pedia-lhe: Senhor Nazareth, toque-nos qualquer composição de Schumann. (...) Sempre que Machado de Assis começava a ouvir Schumann, cruzava as pernas e punha-se a sacudir o pé. Não no compasso da música, mas a indicar uma emoção raramente nele exibida."

(Trecho da carta de Célio

Monteiro a Aloysio de A. Pinto)

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