Trecho do romance 'Os Noivos', de Alessandro Manzoni

Trecho do romance Os Noivos, de Alessandro Manzoni, publicado pela Editora Nova Alexandria. Tradução de Francisco Degani

30 de março de 2012 | 22h45

"O homem honesto diante do malvado geralmente gosta (não digo todos) de se imaginar com a cabeça erguida, o olhar seguro, o peito para a frente, sem freios na língua. Na prática, porém, para fazer com que ele tome essa atitude, são necessárias muitas circunstâncias, as quais muito raramente acontecem juntas. Por isso não se espantem se frei Cristoforo, com o bom testemunho de sua consciência, com o sentimento finíssimo de justiça da causa que vinha sustentar, com um sentimento misto de horror e compaixão por dom Rodrigo, estivesse com um ar de submissão e de respeito na presença daquele mesmo dom Rodrigo que estava ali na cabeceira da mesa, em sua casa, em seu reino, cercado de amigos, de homenagens, de muitos sinais de seu poder, com seu semblante de fazer morrer na boca de quem quer que seja uma súplica, mais do que um conselho, mais do que uma correção, mais do que uma repreensão. À sua direita estava o conde Attilio, seu primo e, é preciso dizer, companheiro de libertinagem e abusos, o qual viera de Milão para passar alguns dias com ele. À esquerda, e do outro lado da mesa, estava, com grande respeito, porém temperado de certa segurança e presunção, o senhor prefeito, aquele mesmo que, em teoria, caberia fazer justiça a Renzo Tramaglino, e fazer dom Rodrigo colocar-se em seu lugar, como se viu acima (...)"

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