Trecho do livro 'Berlin Alexanderplatz', de Alfred Döblin

Pela segunda vez, Biberkopf deixa agora uma instituição na qual foi mantido preso, estamos no fim de nosso longo caminho e junto com Franz damos ainda um pequeno passo.

14 de junho de 2009 | 14h17

 

A primeira que deixou foi a penitenciária de Tegel. Amedrontado, ficou junto ao muro vermelho e quando se moveu dali e o 41 chegou e foi com ele para Berlim, as casas não paravam quietas, os telhados queriam cair sobre Franz, precisou andar muito e sentar-se até que tudo em seu redor sossegasse e ele ficasse forte o suficiente para ficar aqui e recomeçar.

 

Agora, está sem forças. Não consegue mais ver o bloco de segurança. Mas, vejam só, quando desce na Stettiner Banhoff, uma estação dos subúrbios, e avista diante dele o Baltikumhotel, nada - se - move. As casas ficam paradas, os telhados estão firmes, pode movimentar-se calmamente debaixo deles, não precisa procurar refúgio em pátios escuros. Sim, este homem - vamos chamá-lo de Franz Karl Biberkopf para distingui-lo do primeiro, no batismo, Franz também recebeu o segundo nome, em homenagem ao avô, o pai de sua mãe -, este homem sobe agora devagar pela Invalidenstrasse, caminha pela Ackerstrasse em direção à Brunnenstrasse, passando pelo mercado público amarelo, e observa calmamente as lojas e as casas e como as pessoas correm de um lado para o outro, quanto tempo faz que não via nada disso, agora estou aqui de novo. Agora Biberkopf está aqui outra vez. O Biberkopf de vocês está aqui outra vez.

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