Transmissão ao vivo ainda precisa de ajustes

Em 18 salas de cinema do Rio de Janeiro, São Paulo, São José dos Campos, Fortaleza, Recife, Campinas, Maringá, Santos, Salvador, Curitiba e Porto Alegre, que se juntam às mais de 300 espalhadas por 22 países, ocorreu no domingo a primeira transmissão ao vivo de um espetáculo de dança do Ballet Bolshoi. Diretamente de Moscou, dez câmeras mostraram, em tempo real, O Quebra-Nozes, na versão que o diretor da companhia, Yuri Grigorovitch, montou em 1966.

Crítica: Helena Katz, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

Dançada por Nina Kaptsova no papel de Marie/Macha/Clara e Artem Ovcharenko no de Príncipe Quebra-Nozes, com a competência específica de quem é bem formado por uma escola sólida, conseguiu captar aquele clima do acontecimento ao vivo, mesmo bidimensionalizado na tela do cinema. Com direito, inclusive, à queda da bailarina no dueto da dança indiana. Ao final, a plateia paulistana fez coro aos aplausos com que o público do Teatro Bolshoi manifestava o seu agrado com o que acabara de assistir.

A proposta de estender para a dança o que vinha acontecendo somente com a ópera constitui uma das boas notícias desse fim de ano. Para o próximo, já estão programadas as seguintes obras: Class Concert e Giselle (23 de janeiro), Don Quixote (6 de março) e Coppelia (29 de maio), com o Ballet Bolshoi. E, com o Ballet da Ópera de Paris, diretamente da capital francesa, Calígula (8 de fevereiro) e Les Enfant Du Paradis (9 de julho).

Comentários. A transmissão contou com os comentários de Daniela Joyce, bailarina e professora, e Rodolfo Valverde, crítico musical. Ainda serão necessários alguns ajustes, de modo que as suas falas não se sobreponham às dos entrevistados e entrevistadores, impedindo que se ouça o que está sendo dito, uma vez que nem sempre está sendo resumido. Seria desejável também que os comentários de dança buscassem informar com a precisão técnica que a música recebeu. Um exemplo: na entrevista de Yuri Grigorovitch, perdeu-se a oportunidade, além de repetir que tinha 83 anos, de informar que se tratava do diretor que retornara em 2008, depois dirigir a companhia por um período de mais de 30 anos de bastante turbulência.

O som da sala 9 do Cinemark do Shopping Eldorado falhou duas vezes e abafou excessivamente a sonoridade da orquestra. Empalideceu um pouco, mas não impediu o prazer de se assistir a uma montagem tradicional, que celebrizou a companhia e ainda continua sendo uma referência internacional em balé de repertório.

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