Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Transferência da Secretaria de Cultura gera críticas ao governo federal

Jair Bolsonaro passou o órgão para a batuta do Ministério do Turismo; políticos e artistas criticaram a decisão por considerar que o governo quer aparelhar o setor

Redação, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2019 | 14h31

A transferência da Secretaria Especial de Cultura para o Ministério do Turismo, promovida nesta quinta-feira, 7, pelo governo federal, gerou críticas da classe artística e de políticos de diversos partidos. 

"Que absurdo a cultura do nosso país sendo tratada dessa forma", escreveu nas redes sociais o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Alê Youssef. "Atacada, sucateada, censurada. E agora, jogada como uma sub pasta de um ministério para outro. Alvo da sanha de grupos obscurantistas raivosos."

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) fez um post ironizando o presidente Jair Bolsonaro. "Com a ideia de Bolsonaro transferir a Secretaria de Cultura que estava na Cidadania para o Ministério do Turismo acho que o primeiro filme a ser realizado poderia ser o Meu Pé de "LARANJA" lima", escreveu o deputado, referindo-se ao ministro Álvaro Antônio, alvo de desgaste por suspeitas relacionadas a desvio de recursos públicos por meio de candidaturas laranja nas eleições de 2018.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) classificou a transferência e a possível nomeação do ex-deputado Marcos Soares (filho de R. R. Soares) como um "projeto teocrático".

Dois ex-ministros da Cultura também se manifestaram. Marcelo Calero chamou a decisão de "mesquinha". "Colocar órgãos como a Casa de Rui Barbosa, a Biblioteca Nacional, o IPHAN, a Fundação Palmares, o IBRAM e a Funarte sob a batuta do Ministério do Turismo, é de uma visão tão pequena, tão mesquinha. Fala-se muito q somos “Um país sem memória”. Assim seguiremos. Cada vez com menos", escreveu no Twitter.

Roberto Freire disse, também nas redes sociais, que "realmente a Cultura para o governo Bolsonaro é um estorvo".

A atriz Patrícia Pillar também comentou a transferência. "Um país que não valoriza sua Cultura é um país sem rosto. Assim, o Brasil vira às costas ao que o povo brasileiro tem de mais original, sua personalidade e sua história. Triste Brasil..."

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, soltou uma nota dizendo que recebe a nova pasta com "responsabilidade e compromisso". "Nosso trabalho tem resultado no fortalecimento da economia nacional, sobretudo com a geração de emprego e renda para os brasileiros. E é com esse mesmo sentimento que iremos administrar o segmento da cultura", disse, em comunicado.

Veja as reações nas redes:

 


 


 


 


 

 

Secretaria de Cultura é transferida para o Ministério do Turismo

O governo federal transferiu a Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania para o Ministério do Turismo, comandado por Marcelo Álvaro Antônio. A mudança foi publicada na edição desta quinta-feira, 7, do Diário Oficial da União. 

A secretaria foi criada pelo governo de Jair Bolsonaro em substituição ao extinto Ministério da Cultura.

Sem titular

A Secretaria Especial de Cultura está sem titular desde quarta-feira, 6, quando o economista Ricardo Braga, que estava há dois meses na função, foi exonerado do cargo para assumir a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação.

O porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, confirmou nessa quarta-feira que um dos nomes que são avaliados pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar o cargo é o do ex-deputado federal Marcos Soares (DEM-RJ), filho do pastor R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Além de Marcos, o atual diretor do Centro de Artes Cênicas (Ceacen) da Funarte, Roberto Alvim, é cotado ao cargo.

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