Trajes estilosos para o pop orgânico de Beam

Ao longo de uma carreira que já dura dez anos, a produção de Sam Beam saiu do voz e violão para explorar timbres eletroacústicos, flertar com arranjos jazzísticos, e tomar a forma de canções sentimentais ao som de piano e voz. O que liga esta transformação é um talento para melodias amplas, que dão ao ouvinte a sensação de estar em um quaro com janelas abertas e cortinas infladas pelo vento, um efeito não muito díspar ao do cerimonialismo batismal da banda Fleet Foxes. Quando envereda pelo romântico, Beam é sincero, mas quase se dilui em pop genérico como se estivesse sob pressão de sua gravadora para gravar uma faixa a la Elton John. Seu lado mais rock and roll é responsável pelos pontos altos, onde o equilíbrio entre timbres distorcidos e acústicos lembra os arranjos de José Gonzalez e o Tom Waits de Bone Machine. Há também uma dosagem de efervescência punk, nunca exacerbada, que dá a Kiss Each Other Clean um verniz sussurrado e irresistivelmente cool.

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