Traduzidos contos iídiches de Kucinski

Meir Kucinski nasceu em 1904 naPolônia, veio para o Brasil em 1935, radicando-se em São Paulo.Professor, foi casado com dona Éster e teve três filhos. Umrecebeu o nome de Wolf, o outro de Bernardo - que se tornariajornalista - e Ana Rosa, vítima da ditadura, seus restos mortaisnunca foram encontrados. O professor morreu em 1976. Deixou,além da tragédia pessoal, uma obra literária que domingo começaa ser revelada ao público brasileiro, no Teatro Anne Frank - AHebraica (Rua Hungria, 1.000), a partir das 9h30. O livro Imigrantes Mascates & Doutores foi escritoem iídiche e produzido num ambiente cultural intenso e espantoso se levarmos em conta a situação econômica e social daquelesimigrantes judeus vindos da Europa Oriental, que se tornarampopulares na figura dos mascates. Mas que, ao lado da luta pelasobrevivência deles e seus familiares na Europa, mantinham ativaa vida cultural no idioma materno. O mesmo idioma de ScholemAleichem e do Nobel Isaac Bashevis Singer. Mas Kucinski escreveusobre os judeus do Bom Retiro, suas paixões, sonhos, sofrimentos ilusões, desilusões e sacrifícios. Nos seus contos, o leitorencontrará tanto o mascate quanto o doutor da segunda geração,tanto a filha casadoira quanto as famosas polacas. Ao apresentar a obra, o escritor Jacó Guinsburg,pioneiro na divulgação da literatura iídiche e hebraica noBrasil, observa que, "no conjunto, essas histórias traduzemtanto a arte de um autor armado de notável conhecimentolingüístico do iídiche e apto a explorar suas potencialidades dearticulação ficcional como linguagem de invenção e expressão,quanto um capítulo inteiro da vida do imigrante judeu da EuropaOriental e das vicissitudes de seu relacionamento com o novomeio". É literatura e capítulo da história. No prefácio, a professora Rifka Berezin, que organizou ovolume com Hadasa Cytrynowicz, faz um perfil do ficcionista -além de publicado em Tel-Aviv, ganhou um prêmio nos EstadosUnidos em 1947 com O Homem mais Forte do Mundo -, e mostracomo naquele mundo aparentemente isolado Kucinski vivenciava oBrasil, também dele e de seus personagens, ao refletir sobre osrumos de sua nova sociedade. Claro, não estava sozinho nisso. Outro intelectual judeu da época, Yoshua Auerbach, fazcomentários interessantes sobre as tendências da culturabrasileira vista pelo microcosmo da comunidade de fala iídiche.O lançamento do livro, traduzido por uma equipe, terá palestrada prof. Rifka, com a participação de Jacó Guinsburg e HadasaCytrynowicz, sob coordenação de Fanny Rozentraub.

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