Tradutora se prepara para encarar sétimo <i>Harry Potter</i>

Quando os fãs de Harry Potter abrirem o último livro em inglês das aventuras do bruxinho, no dia 21 de julho, o trabalho duro só vai estar começando para Lia Wyler.Ela tem a missão de traduzir o esperado Harry Potter and the Deathly Hallows (Harry Potter e as Insígnias Mortais, nome provisório em português) para a edição brasileira do sétimo livro da saga. A série já foi traduzida em mais de 60 línguas e vendeu cerca de 325 milhões de cópia em todo o mundo.Nos seis volumes anteriores, ela teve de usar talentos secretos para verter para o português termos inventados como "muggles" (trouxas) e "quidditch" (quadribol)."A maioria das dificuldades é superada com um pouco de linguística e muito humor", disse ela à Reuters numa entrevista por e-mail.O sétimo livro de J.K. Rowling sobre Harry Potter chegará às prateleiras do mundo todo em inglês no dia 21 de julho. A versão brasileira será lançada no fim do ano, embora não haja uma data fixa, disse um representante da editora Rocco.O tempo necessário para traduzir o livro depende do número de páginas. Wyler disse que vai trabalhar de 10 a 12 horas por dia para traduzir e revisar entre 2.400 e 3 mil palavras diárias. Wyler traduziu todos os livros da série.Consulta com Rowling"Quando a Rocco comprou os direitos dos primeiros dois, eu tinha acabado de ganhar um prêmio pela tradução de O Terno Tanto Faz Como Tanto Fez, também um título da Rocco", disse Wyler, que mora no Rio de Janeiro. "Por isso e pelo meu conhecimento da cultura britânica, meu nome foi uma escolha natural."E como traduzir coisas como "quidditch" e "muggles"? "Inicialmente a série era voltada para as crianças, então tentei mostrar a idéia que estava por trás de cada uma das criações de Rowling. O quidditch, um jogo disputado com quatro bolas, virou ´quadribol´, e ´muggles´ virou ´trouxa´, um palpite acertado entre centenas de significados possíveis."Ela disse que consultou J.K. Rowling antes da tradução dos dois primeiros livros, mas hoje raramente fala com ela. Se fala, isso acontece por intermédio do empresário dela.Os primeiros cinco volumes em português venderam cerca de 2 milhões de exemplares no Brasil, disse a Rocco. As vendas do sexto volume ainda não foram oficialmente totalizadas, mas a contagem final era de 350 mil exemplares. Tradutora lucrouSe a série rendeu milhões à autora, também foi lucrativa para a tradutora. "Em 1998, Harry Potter não era um sucesso mundial, então o pagamento foi o normal para livros infantis. Mas tive um bônus para os dois últimos."Wyler traduz há mais de 30 anos, e aprendeu inglês de várias fontes. Ela já traduziu Henry Miller, Muriel Spark, Joyce Carol Oates, Gore Vidal, John Updike, Tom Wolfe, Stephen King, Sylvia Plath e Nora Ephron. "Tom Wolfe ainda é um dos favoritos, mas Rowling é uma ótima contadora de histórias. Os dois foram desafios que tive prazer de enfrentar", disse ela.Quatro livros da série já viraram filmes, arrecadando, juntos, bilhões de dólares. O quinto filme da série, Harry Potter e a Ordem da Fênix, será lançado nos Estados Unidos e no Brasil pouco antes do último livro da saga, em 13 de julho.

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