Traços ciganos de um mestre

Nova edição da Gráfica celebra a obra do caricaturista Cássio Loredano

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h08

Publicada quatro vezes ao ano, a revista Gráfica - Arte/Internacional, que tem por editor Oswaldo Miran, destaca em sua mais nova edição, dupla, de número 73/74, a ilustração. A obra do caricaturista Cássio Loredano, colaborador do Estado, é apresentada por meio de um conjunto farto de seus trabalhos e ainda por trecho de texto do desenhista, humorista e escritor Millôr Fernandes. Mas há ainda muito mais na edição da revista, como a exibição de criações do gravurista uruguaio Maurício Planel, que explora a técnica da colagem.

"Fragmentado, cigano, olhar espantado de quem não se surpreende" - assim Millôr Fernandes define Loredano, mestre da caricatura na imprensa desde 1972, mas que iniciou sua carreira no jornalismo primeiro como repórter, em 1968. "Em 30 anos Loredano 'fotografou' na sua rolefléquici Marguerite Duras e Nara, Billie Holiday e Maria Bethânia, se espalhou pelo Estadão (se prêmios valem alguma coisa ganhou tantos que nem cito), teve contato íntimo e de patota, talvez até de movimento, com Chico Caruso, Trimano, Elifas Andreato, esteve no Pasquim, passou pelo O Globo, andava no Jornal do Brasil, viram-no publicado no Jornal de Lisboa, foi personagem de publicações em Barcelona, Madri, e mais muitos lugares que nem sei e nunca vou saber", define de uma maneira descontraída Millôr no texto extraído do livro Loredano Alfabeto Literário (Editora Capivara/2002).

A revista Gráfica traz, assim, uma espécie de panorama de trabalhos do caricaturista, dedicando páginas inteiras às suas obras. Por meio de seu traço, o artista representa, por exemplo, um magro poeta Carlos Drummond de Andrade diante de uma pedra, numa referência ao famoso poema do escritor, ou a autora Clarice Lispector em preto e branco apenas com um de seus olhos verdes, o que o destaca. Mas tantas outras personalidades da cultura desenhadas por Loredano figuram na edição, entre elas, os músicos Cartola (ilustração reproduzida ao lado), Jorge Ben, Zé Ketti e Pixinguinha; a intelectual norte-americana Susan Sontag; ou, em duplas, os filósofos Karl Marx e Engels e os espanhóis Buñuel e Lorca. Até o pintor irlandês Francis Bacon não escapou do olhar do caricaturista, ganhando, em seu traço, bochechas gigantes.

Já na seção dedicada às criações do uruguaio Maurício Plantel, um amplo conjunto de trabalhos que apresenta o universo da colagem. Em suas obras, Plantel mistura o desenho e a imagem apropriada (ilustrações ou fotografias), abrindo campo, assim, para composições de "um tempo de fantasia" ou "fábulas visuais", como escreve Luis Trimano.

A revista Gráfica foi criada em 1983 e, atualmente, é impressa em Curitiba, no Paraná, pelo grupo Posigraf. Com pequenos textos e grande espaço para as imagens, a publicação, neste novo número, tem uma sobrecapa especial com gravura do designer paranaense Marcos Minini. Mais ainda, a publicação apresenta um ensaio fotográfico de Lina Faria na qual estão registros de paredes e muros clicados em Curitiba. O número também apresenta como um clássico os trabalhos tipográficos do italiano Italo Lupi, autor da identidade visual da Trienalle de Milão e um pôster encartado criado por ele. Já a capa é assinada por Cau Gomez.

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