Bel Pedrosa/Companhia das Letras/Divulgação
Bel Pedrosa/Companhia das Letras/Divulgação

Trabalho enxuto de 'Chico'

Em seu novo CD, que sai em julho,compositor preferiu arranjos mais minimalistas

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2011 | 00h00

Um CD enxuto, de dez faixas e gravado com poucos instrumentos. Chico, o antecipado disco de Chico Buarque que interrompe o silêncio deixado por Carioca, é, nas palavras de seu produtor, arranjador e violonista, Luiz Cláudio Ramos, "o menos orquestrado" dos últimos trabalhos do compositor, com quem ele completa 40 anos de convivência artística em 2012. "Carioca, entre os discos do Chico que eu produzi e arranjei, é o que teve mais orquestra. Chico é o que teve menos. Os arranjos são mais minimalistas, as ideias foram condensadas", conta o músico.

O CD vai estar nas lojas em julho, mas não há previsão de shows por enquanto - a ausência do Canecão, casa carioca onde Chico sempre fez seus lançamentos e que está fechada desde outubro, o desanima.

São sete faixas com letra e melodia de Chico e três com parceiros músicos: João Bosco compôs Sinhá, um afro-samba que conta a história de um escravo que é torturado por sua ligação com a sinhá, e gravou participação; o baixista Jorge Helder, sempre em sua banda, é coautor de Rubato, que brinca com a atividade do compositor; Ivan Lins fez com ele a já conhecida Sou Eu, "emprestada" a Diogo Nogueira, a qual Chico divide agora com seu "baterista mais querido", Wilson das Neves.

"Ele me deu esse presente. O Chico é maravilhoso, são 27 anos trabalhando juntos. Ele gostou muito, me ligou para dizer, para você ver a humildade do cara", disse Das Neves. Ele celebrou 75 anos cinco dias antes de Chico fazer 67, e recebeu uma ligação carinhosa da "chefia" - que no momento está em Paris, descansando das nove semanas de gravações (realizadas no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Humaitá, entre abril e maio).

A pré-produção começara na casa de Luiz Cláudio Ramos, no Jardim Botânico, perto dali, com Chico, Luiz, Jorge Helder e o pianista João Rebouças trocando ideias. "Ele começou a me mandar as músicas no segundo semestre do ano passado, aos poucos, e continuou fazendo até em cima da hora. São muito bonitas, com aquelas faces do Chico: umas muito poéticas, outras com humor", contou o produtor, a cargo de seus arranjos desde 1989 (e desde 1972 ao violão).

A primeira pronta, lembra, foi a valsa Nina. É uma das faixas românticas, como Se Eu Soubesse, que já se conhece do CD de Thais Gulin, a cantora curitibana radicada no Rio. Essa Pequena, "meio blues, meio jazz", e Sem Você II, que alude à "original", de Tom e Vinicius, também são de amor, enquanto Querido Diário - divulgada segunda-feira em www.chicobastidores.com.br, fonte "oficial" de notícias sobre o CD - trata de temas diversos.

Os amigos acompanharam a euforia de Chico. "Certa tarde, fui à casa dele e, quando fui embora, ele disse que ia dar voltas de carro", conta o escritor Eric Nepomuceno. "A explicação foi curiosíssima: "É que não tenho equipamento de som, e quero ouvir as gravações dos arranjos novos. Uso o toca-CDs do carro"."

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