Torre de Babel inspira coreografia

O episódio bíblico da Torre deBabel e as suas diferentes línguas presentes em um mesmo espaçoinspirou a coreografia Babelle Heurese, da CompagnieMontalvo-Hervieu, que estréia nesta quinta-feira, no Teatro Alfa. Pelasegunda vez no Brasil, a trupe comandada por Jose Montalvo eDominique Hervieu traz a seqüência do espetáculo anterior, LeJardin Io Io Ito Ito, cujo foco está em levar ao palco amulticulturalidade. Montalvo e Dominique pretendem levar ao palco o que elesacreditam ser um modelo de convivência possível e pacífico entreculturas distintas. "Em um mundo em que as culturas se misturamo tempo todo, o importante está em valorizar a singularidade decada um e fugir da pasteurização tão freqüente", diz Montalvo."Cada diferença deve ser respeitada e quando culturas seencontram, devem dar origem a algo novo, criativo." Os trabalhos da companhia dão asas à imaginação. EmBabelle Heurese, músicas tradicionais do Oriente Médiomisturam-se com Bach e Vivaldi, vídeo, colagens de imagens,danças tribais, capoeira e acrobacia juntam-se à dançacontemporânea. O fio condutor desse espetáculo é o humor."Nossas coreografias procuram ser leves e divertidas. Éimportante inventar pequenas utopias para fazer a aproximaçãocom o público. O espetáculo torna-se um espaço de prazer, quepermite a cada um exprimir seus sentimentos e sensações." A coreografia foi definida por seus criadores como um"conto coreográfico". "Tudo começa com o famoso ´era umavez´. A idéia está em utilizar o mito da Torre de Babel como umapoio para apresentar o imaginário do século 21, marcado pelamestiçagem de linguagens, constituído por diversas culturas." Babelle Heurese dá seqüência à trilogia que começoucom Paradis e segue a mesma linha de pensamento de "LeJardin Io Io Ito Ito. De acordo com os criadores, cada peçapossui sua singularidade, são como fragmentos de uma mesma obra."Como em um afresco barroco ou uma corrente, a peça flui como odesenvolvimento de uma mesma reflexão. Um jogo de imagens,ligado à arte do século 20." Ação - Montalvo e Dominique assumiram, em 1998, o CentroCoreográfico Nacional de Créteil, onde realizam um trabalho deformação e de educação artística. A região, subúrbio de Paris, éconsiderada uma das mais difíceis por causa dos altos índices deviolência e pelas tensões entre africanos e franceses. O coreógrafo está animado com a visita ao País. "Sempreé um grande prazer ir ao Brasil, um local como Créteil, quereúne culturas formidáveis, pessoas sensíveis e que devem sercolocadas em sinergia." De São Paulo, a companhia ruma para oRio, onde se apresenta no Teatro Municipal, entre os dias 19 e21.Serviço - Compagnie Montalvo- Hervieu. De quinta a sábado, às 21horas.De R$ 45,00 a R$ 110,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco deAndrade Filho, 722, São Paulo, telefone 5693-4000. Até sábado.

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