Toquinho

Parceiro de Vinicius de Moraes em clássicos como os dois álbuns a arca de Noé, ele faz show com canções infantis em festival no próximo domingo em São Paulo, entre outros projetos

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Quando você e Vinicius de Moraes fizeram A Arca de Noé, em 1980 e 1981, desde os disquinhos de Braguinha não se renovava a música para crianças. Hoje você tem um foco especial sobre o público infantil. Como é para você atuar nessa área?

Nunca tinha pensado nisso até que Vinicius veio com a sugestão da Arca de Noé. Ele tinha esse lado lúdico e bem-humorado, porque se não tiver isso, você não faz música infantil. Eu me divirto com isso e estou fazendo outro trabalho com Elifas Andreatto. Estudo muito violão, escalas todos os dias, conheço harmonia, preservo essa coisa da técnica do instrumento, mas para fazer música infantil você precisa sair desse pedestal e fazer uma canção em que não subestime a criança e ao mesmo tempo fale a linguagem dela. É difícil demais.

Aquarela (parceria com Vinicius, Guido Morra e Maurizio Fabrizio) é uma canção adulta que virou clássico "infantil". Como se explica esse fenômeno?

Aquarela é uma música que fala da morte, tem uma letra enorme, fatalista ao extremo, é triste, só que a criança vê um lado lúdico em versos como "numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo", aí já está no mundo dela. A partir do momento em que eu me cativo fazendo a canção, o adulto está cativado. Compus agora uma música divertida com Elifas sobre a mentira. Depois da Arca fiz Casa de Brinquedos, com 12 canções sem poder repetir ritmos nem ideias melódicas. Mutinho, grande parceiro, me ajudou. Aí veio Os Direitos da Criança. Os direitos são frios, burocráticos, como fazer uma canção sobre deficientes físicos? Esses discos deram muito trabalho, mas até hoje estão dando frutos impressionantes, passando por várias gerações.

No show de domingo você vai fazer um apanhado desses discos todos?

O repertório será de canções infantis, mas vou acabar cantando alguns clássicos adultos; afinal, os pais estão lá com os filhos.

O show vai ter participação de Verônica Ferriani e Roberta Sá, duas das melhores cantoras jovens hoje. O que acha delas?

Roberta é bem-vinda sempre. Verônica está trabalhando comigo agora. É um desses felizes casos do cartão de visitas do CD. Recebo muitos discos que não passo da quarta faixa. O dela me surpreendeu por cantar bem e pelo bom gosto do repertório.

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